quinta-feira, 31 de março de 2016

A MELHOR ALMA QUE JÁ CONHECI NA VIDA

Há quem acredite em almas. Há quem não acredite. Há quem diga que todos os seres possuem alma. Há quem diga que somente humanos tem alma. Mas, afinal, o que é alma? 

Para alguns, alma é espírito. Um componente sobrenatural que habita em nossos corpos e que nos liga com o criador ou com a força suprema. Aquilo que nos garante que somos algo além da matéria que um dia apodrecerá num chão úmido e comido por seres invertebrados. Seria a alma o nosso “eu” que continua, aquilo que migra após a nossa saída desta terra de desilusões e sofrimento.

Para outros, alma é nada mais nada menos do que nossa consciência. Nossa capacidade de dialogar com nós mesmos em nossa mente. Seria a expressão abstrata do nosso cérebro por meio do raciocínio, que nos faz pensar e refletir sobre tudo que está a nossa volta.

Independente da descrição, a dúvida é: quem tem alma? Quando nos deparamos com alguém mal, alguém que não se importa com quem está a sua volta, alguém que pensa somente em si mesmo, alguém que não mede forças para fazer o mal a alguém, dizemos que este ser humano é “desalmado”. Seria a alma então a nossa essência benéfica? Aquilo que nos leva a agir de forma “humana”? Que nos leva a sermos melhores e a nos preocuparmos com os outros? Aquilo que nos faz ceder o lugar na fila para uma pessoa que precisa ou nos faz sorrir quando quem amamos chega em casa? Seria isso alma?

E por que somente os humanos tem alma? Por que somente nós somos capazes de agir com “humanidade”? Somente nós somos capazes de agir de forma altruísta e não medirmos esforços para fazer feliz quem amamos? Somente nós?

Pois um dia eu fui apresentado a um ser de outra espécie. Um cão. Um ser que para o ordenamento jurídico brasileiro não é mais do que uma coisa. Um ser que, para muitos, não passa de uma espécie inferior, uma fera a ser dominada, alguém a quem jamais devemos chamar de filhos. Um cão. Ou melhor, uma cadela. Da raça boxer para ser mais exato.

Quem gosta de cães deve conhecer bem essa raça. Deve saber que seus admiradores, quando acostumados com competições de exposição, preferem os exemplares mais tigrados ou de cor lisa, como caramelo e marrom. Mas os brancos são ignorados. Não são mais tanto assim. Mas quando conheci aquela cadela, eram. Ninguém os queria porque nem Pedigree eles tem direito. São considerados como uma “aberração” da raça.

Da ninhada, eram somente duas brancas. E esta em especial, ninguém quis comprar. Sim, comprar. Cães de raça ainda se compram. Sou a favor da adoção, mas quando se quer um cão daquela característica, a raça importa e cães com raça se vendem. Ela ficou por último. Somente uma pessoa se interessou nela, mas sem convicção suficiente para poder comprá-la. Eu então a conheci. Ela tinha uma mania, um tique, sei lá, de lamber toda hora. Lambia o vento parecendo que mandava beijos. Logo foi apelidada de “máquina de dar beijos”. Totalmente branca e com focinho inteiramente rosado. Parecia mais um porquinho da índia do que um cão. Eu a amei desde o primeiro contato.

Foi então que me foi oferecida. Eu estava de mudança para o interior do Rio Grande do Sul. Um lugar muito distante de onde eu estava. Minha família toda longe. Eu estaria sozinho numa terra desconhecida. A dona dela, minha então namorada, a levou para mim um mês depois da minha partida. Ela já estava maiorzinha, mas ainda era um porquinho da índia. Cabia no colo. Foi minha companheira durante todo o tempo que fiquei lá sozinho. Ela assistia jogos de futebol, participava dos churrascos, brincava, fugia pela janela, eu resgatava e tinha que dar banho, ela rasgava o saco de carvão, enfim, aprontava como todo bom filhote, mas à medida que crescia, mostrava que era a melhor cadela do mundo. Não podia ver ninguém triste perto dela. Aprendeu a discutir como gente. Dormia na cama. Sim. Dormia. Ela aos poucos se tornou uma filha.

Ela esteve comigo durante os dias mais difíceis da minha vida. Ela esteve do meu lado quando chorei ou quando sorri. Todos os dias que cheguei em casa ela abanou o rabo e brincou comigo. Nunca me mordeu por querer. Nunca mordeu ninguém. Nunca ficou brava com nenhuma pessoa. Era uma verdadeira criança. Andou diversas vezes de carro, com o cinto de segurança canino, no banco de trás, sentada olhando a janela fechada por causa do ar-condicionado, como se fosse uma pessoa que olha pelo caminho. Olhava para mim quando eu falava com ela como alguém que entende tudo que está sendo dito. Nunca deu trabalho. Nunca machucou ninguém. Nunca ficou brava comigo mesmo nas vezes que briguei com ela por algo de errado que ela fez. Sempre se encostava na gente para que não saíssemos de perto dela sem ela perceber.

Ela fez tudo o que podia para fazer feliz quem estava perto dela por toda sua vida. Quando as outras cadelas chegaram, mais duas, ela cuidou delas como uma mãe atenciosa. Brincou e ensinou como ser. Ensinou-as a ser tão pacientes e serenas quanto ela. Ensinou-as a ficarem quietas enquanto eu tocava violão. Ensinou-as a pedir para eu voltar a tocar quando parava. Ensinou-as a nunca brigar por causa de comida e a não brigar com quem brincava com elas enquanto elas comiam. Enfim, ela criou melhor os outros cães do que eu.

Ela fez de tudo para me fazer feliz. Ela nunca me deixou triste. Nunca precisei me preocupar com o que ela estava aprontando. Ela sempre fez de tudo para não incomodar. Tanto foi assim, que até para morrer esperou o momento em que ninguém estivesse em volta para que ninguém se preocupasse. Ela não estava só em casa. Ela já estava doente, mas fez de tudo para mostrar que estava bem. Não mostrou dor em um minuto sequer.

Então eu volto à pergunta: quem tem alma? Quem faz bem as pessoas? Alguém que não mede esforços para fazer alguém feliz? Alguém que pensa mais em quem ama do que em si mesmo? Isso é ter alma? Então o ser com mais alma do mundo foi ela. Ela teve muito mais alma do que qualquer ser humano deste planeta. Ela jamais me deixou só. As outras não superaram a falta dela. Elas andam pela casa chorando e procurando. Quando retirei seu corpo da casa, as outras sabiam exatamente que ela não voltaria. Choraram como choram irmãos no velório de um deles.

Então eu pergunto: quem tem alma? Os seres humanos, superiores, que do alto da sua capacidade racional, estão mais preocupados em ser felizes do que fazer alguém feliz? O ser humano que está mais preocupado em criticar quem lhe faz bem do que dar carinho a quem precisa? O ser superior que não demonstra o mínimo de alegria ao ver um amigo?


Se ter alma é dar o melhor de si para fazer alguém feliz, ela foi a melhor alma que já conheci na vida!


segunda-feira, 28 de março de 2016

VIAGEM - Pirapora de Bom Jesus

Na semana passada comemoramos o que os mais religiosos chamam de Semana Santa. Os não religiosos e ateus também não ligam por chamá-la assim, já que para muitos é um feriadão de 3 dias onde todos podem optar por descansar em seus lares, fazer uma viagem ou visitar algum parente que não via há tempos. Existem, ainda, aqueles que conseguem fazer os três ao mesmo tempo. Incluo-me entre estes últimos.

Eu e minha estranha necessidade de ficar só, acordamos no sábado com aquele formigueiro na cama típico de quem quer relaxar o máximo possível, mas não tem a mínima intenção de perder o feriadão dormindo. Então levantei e resolvi digitar um texto para o Blog. Claro que o barulho de pessoas na casa não me permitiu me concentrar o suficiente para que eu pudesse ter alguma ideia. Peguei então meu caderno, uma caneta (Bic) e meus óculos, entrei no carro e saí sem rumo definido.

Existe uma estrada entre as cidades de Itu e Cabreúva que se chama Estrada Parque. É uma estrada asfaltada, bastante simples, que fica no meio da APA TIETÊ, margeada por uma floresta e pelo Rio Tietê. Ok. Em alguns trechos o cheiro não é dos melhores, mas a beleza da estrada é inquestionável. A cada curva uma nova surpresa. Trechos de Serra e de retas se alternam, revelando paisagens únicas e dignas de admiração.

Peguei esta Estrada e resolvi ver aonde chegaria. Foi quando vi a placa que mostrava “Pirapora de Bom Jesus – 37 Km”. Lembrei-me então dos romeiros que todos os anos atravessam a cidade de Itu vindo dos lugares mais distantes para poderem chegar a esta estrada e ir para Pirapora. Alguns carregam cruzes imensas a pé, outros vão a cavalo, outros a pé, alguns de bicicleta, enfim, muitos romeiros que tentam professar sua fé ou cumprem uma promessa por este caminho. Arrisquei-me, então, a prosseguir até esta famosa cidade religiosa.

No caminho, pude avistar muitos que prosseguiam em sua peregrinação. Muitas famílias caminhavam juntas. Havia os solitários, que apenas caminhavam, sem levar nada consigo somente a fé. Alguns, já exaustos, mancavam com claros sinais de fadiga. Eu observava tudo aquilo, questionando o quão forte pode ser a fé de uma pessoa. Ela é capaz de fazer o ser humano ultrapassar os próprios limites para chegar aos objetivos aos quais se determinam.

Após curvas e mais curvas, subidas de diferentes inclinações, trechos de sombra e de sol, cheguei à Pirapora do Bom Jesus. Um caminho realmente espiritual de paz e reflexão, mas cujas dificuldades me fizeram imaginar o quão difícil deveria ser aquela romaria. Ao chegar à Igreja Matriz, pude ver um incontável número de Crucifixos de todos os tamanhos, com as mais diferentes inscrições e dedicatórias, com o nome de todos os romeiros e os locais de onde vinham. Foi quando vi uma Cruz, que devia ter uns 4 metros ou mais, com a inscrição de Piracicaba. Gente, o caminho de Piracicaba à Bom Jesus é algo em torno de 140 Km! Foram 140 Km de caminhada levando uma Cruz de aproximadamente 4 metros! Não, não levaram de caminhão ou carro! Quando vi isso, confesso que me assustei. Foi aí que percebi o quão bonito é a fé das pessoas. Uma pessoa, que certamente estava pagando uma promessa, carregou uma Cruz por 140 Km. Tudo bem. Muitos colocam rodas na parte posterior da cruz para ajudar. Mas ainda assim, são 4 metros! E, com certeza, havia outras cruzes de outros lugares ainda mais distantes.


Senti-me realizado com aquela viagem. O caminho tranquilizador foi muito agradável e inspirador. Acabei não escrevendo nada naquele dia, mas as coisas que pude ver, a beleza da Estrada e a fé daqueles romeiros que vem dos lugares mais distantes para cumprir com suas promessas, valeram por todo o feriadão e por mil textos. Espero que todos aqueles que passam pela região reservem parte do seu tempo para fazer esta jornada. Independente de credo ou não credo, é uma oportunidade ímpar e digna de ser vivida. Que novas viagens revelem locais tão agradáveis quanto este!

















segunda-feira, 21 de março de 2016

TUDO PELA ORDEM

O ser humano e o seu estranho modo de enfeiar o que é belo ao tentar ordenar o que já está ordenado. É uma estranha tendência a tornar tudo milimetricamente (im)perfeito tentando encaixar o “ecossistema” numa suposta ordem social, que não faz sentido nem para os membros da sociedade, e acaba tirando tudo da sua forma original nos fazendo perguntar qual o real sentido de raciocinarmos se o raciocínio nos leva a sermos mais estúpidos do que todos os outros animais.

Perdemos mais tempo tentando "acertar" o que está perfeito do lado de fora do que tentando aceitar o que nos cerca e mudar o que está imperfeito do lado de dentro. Uma eterna procura por deixar tudo numa forma perfeita baseados num padrão traçado por seres imperfeitos que se julgam superiores por saber usar o polegar como pinça, mas que é capaz de matar por sem ser por fome ou por defesa. O polegar da morte. Aquele que nos tornou capazes de matar pelo simples gosto , pelo cheiro do sangue vertendo sobre a terra. Um satisfação tão deplorável e inerente a nossa espécie que quando não estamos possibilitados a derramar sangue quente, virtualizamos o sangue pelo simples prazer de derramá-lo. Quanto mais sangue melhor. Quanto mais morte, melhor!

Se fosse necessário definir esta espécime maldita em uma palavra, definiria como insatisfação! Uma insatisfação eterna. Um eterna necessidade de tentar dominar e determinar toda a sorte de probabilidades que existe ao nosso redor. Queremos estar seguros de tudo; mas quando atingimos a máxima segurança, subimos o Kilimanjaro numa suposta busca pela emoção, pois só a adrenalina nos faz felizes. Ficar parados não nos faz bem. Movimentar é ótimo. Mas evoluímos (será) milênios, séculos, décadas, anos, meses, dias, horas, minutos, segundos, para conseguirmos tudo que precisamos para vivermos mais, mas quando conseguimos viver mais, nos matamos dia-após-dia, uns aos outros, a nós mesmos, com atitudes e toda sorte de palavras tão estúpidas, que atingimos um equilíbrio universal no caos que causamos. Somos dependentes da morte.

Moro no interior de São Paulo. Não sou Paulista, mas gosto muito das cidades do interior de São Paulo. São, geralmente, muito organizadas, com serviços públicos eficientes e um nível de limpeza e urbanismo que julgo como de primeiro mundo. Claro, não se pode generalizar nem superestimar. Ainda estamos no Brasil. Então não podemos esperar cidade super arborizadas e com ciclovias com viabilidade suficiente para diminuir o trânsito louco mesmo numa cidade de 150 mil habitantes. Mas, ainda assim, são cidades minimamente organizadas. Mas essa tendência á "organização" que me fez questionar qual o preço disto tudo. Tomamos atitudes tão estúpidas e desnecessárias em nome desta “organização”. Construímos e quebramos tudo. Quebramos o que nós mesmos construímos. Quão organizados podemos ser?

Um dia eu andava de carro em uma cidade aqui próxima. IDH padrão europeu, educação de qualidade, renda per capita altíssima, mas ainda assim, composta por seres desta espécie maldita. Funcionários da prefeitura faziam um serviço de jardinagem em volta de uma ciclovia. Aparavam a grama, podavam plantas e arbustos, limpavam a calçada e tudo mais inerente a este tipo de serviço. Quando percebi que os arbustos que margeavam a ciclovia continham uma linda flor azul. E estas flores pequeninas formavam um lindo cordão azul em volta de toda a pista. Enquanto eu me distraia com esse lindo cordão, um funcionário da prefeitura, alguém que provavelmente só cumpria ordens, passou um aparados nos arbustos e acabou com todas as flores. Os arbustos ficaram totalmente quadrados, milimetricamente quadrados, mas sem nenhuma cor. Aquele lindo cordão azul desapareceu em instantes dando lugar a um milimétrico muro verde sem graça em torno de toda a ciclovia.


Esta é a ordem que queremos. Queremos a nossa ordem. Nossa milimétrica e feia ordem. Nossa monocromática ordem. Nossa forma desordenada de fazer ordem. Tudo o que queremos é ordenar tudo que já está perfeitamente ordenado em nome de uma suposta ordem social. Ordem e mais ordem; toneladas de ordem; megatons de ordem! Palavras de ordem, livros sobre ordem, caos pela ordem, ordem pelo caos. E toda esta ordem sobre o fim de algo. Toda a ordem sempre sobre o fim de uma vida. Somos viciados na morte. Matamos pela ordem. Ordenamos a morte. 

domingo, 20 de março de 2016

DESTAQUE MUSICAL - ENGENHEIROS DO HAWAII

      Hoje o destaque musical vai para uma banda brasileira (ufa) dos anos 80/90. Seu rock de letras filosóficas, com um jogo de palavras muito bem elaborado, fez com que muitas de suas músicas se perpetuassem pelo cenário musical. 

   Mas muitas vezes, essa incrível banda é esquecida pelos críticos brasileiros. Vira e mexe ouvimos falar do trio de ouro do Rock Brasileiro com Legião, Paralamas e Barão Vermelho. Alguns se referem como sendo o quarteto, inserindo a este seleto grupo os Titãs. Mas eu considero uma tremenda injustiça a exclusão dos nossos homenageados de hoje, os "Engenheiros do Hawaii". 

      Eu sou fã do Rock Brasileiro dos anos 80/90 (algumas poucas dos anos 00) e para mim, em termos de letra, essa banda está no mesmo nível destas outras, para não dizer que supera em algumas músicas. Mas claro... na minha humilde opinião, eu acho que entra um pouco do marketing nesta questão. As músicas do Engenheiro são populares. Todo mundo, até os mais jovens conhecem ou, pelo menos, já ouviram. Mas ouço muito assim: "Nossa! Sempre adorei esta música. Não sabia que era deles".

      Para homenagear esta banda e tentar difundir sua música para os mais jovens através deste Blog, é que faço esta homenagem deixando três de suas músicas. Espero contribuir para corrigir parte desta "injustiça" que citei acima! Um Bom Som a todos!

REFRÃO DE BOLERO - ENGENHEIROS DO HAWAII

PRA SER SINCERO - ENGENHEIROS DO HAWAII

PIANO BAR - ENGENHEIROS DO HAWAII

sábado, 19 de março de 2016

DESTAQUE MUSICAL - Nirvana

Hoje o destaque musical fica por conta do Nirvana. É para relembrar e curtir esse som maravilhoso.

SMELL LIKE TEEN SPIRIT - NIRVANA

COME AS YOU ARE - NIRVANA

LITHIUM - NIRVANA

terça-feira, 15 de março de 2016

DELAÇÃO PREMIADA

Os últimos acontecimentos tem abalado toda a estrutura republicana. As delações premiadas têm colocado velhos figurões no centro das principais investigações. Já se podem verificar velhos defensores do governo iniciando uma indignação com toda a sujeira que vem se levantando pelos últimos episódios.

O que acontece de bom, neste momento, é uma pseudounião entre os polos do país, uma vez que surgem nomes ligados aos dois lados, quebrando o velho paradigma de somente se imputar responsabilidade a um dos polos e colocar o outro como o “santo” da história. Só que na política deste país, não há santos! E pela primeira vez isto está ficando claro.

Parafraseando uma máxima que surgiu nas ruas quando começaram a ventilar a ideia de impeachment: “Não foi o Partido que inventou a corrupção”! E de fato não foi. Torcemos para que os figurões também façam suas delações e mostrem toda a sujeira que foi varrida para baixo do tapete nos últimos 30 anos. Ou até mesmo nos últimos 516 anos!

Que todas as denúncias sejam minuciosamente apuradas. Que ninguém seja declarado culpado sem que haja o devido processo legal. Mas que todos aqueles que foram ou que forem citados, sejam investigados com a mesma seriedade. Que não haja favorecidos. Que todos, independente do partido e independente do poder ao qual pertençam, sejam investigados e que, caso culpados, sejam condenados nos termos da lei.


O desejo principal neste momento é que, enfim, o povo brasileiro se una, independente de credo, religião, etnia ou ideologia política. Que o povo brasileiro se una contra este mar de lama que se tornou nossa república em todos os poderes. Que todos se unam contra os empresários, políticos, juízes e corruptos de qualquer ordem, para que nosso Brasil possa ter um futuro verdadeiramente limpo. Muito ainda virá à tona! E que Deus ajude esta nação. Por que só ele para tirar este país desta imoralidade que está.

domingo, 13 de março de 2016

Outono Brasileiro

Chegamos ao tão esperado 13/03. Chegamos e passamos. Sem problemas de maior vulto. Sem guerra civil. Sem sangue nas ruas. Pessoas de amarelo e vermelho manifestaram suas convicções pelas ruas do país, cada um a sua maneira, cada um segundo sua doutrina e crença no que é melhor para o país. Ok. Esta última frase foi forçada. Alguns foram às ruas apenas para apoiar seu partido, seu candidato, seus “santos”, seu ser incorruptível, pois somente ele é capaz de levar o país para a luz.  
Mas o mais legal do dia é ver a “guerra civil” virtual que isso ocasionou nas redes sociais. As propagandas e contrapropagandas foram muito bem articuladas de ambos os lados, dignas de qualquer marqueteiro com prisão decretada. Mas o mais legal, mesmo, foi perceber que as pessoas perdem o escrúpulo totalmente na hora de atacar o outro lado.
Teve gente inteligente dizendo que a Burguesia convocou seus vassalos para sair à rua.  Esse deveria retornar aos bancos escolares para reaprender que a “suserania e vassalagem” é incompatível com a burguesia. Não sou professor de história e não é minha intenção dar aula a ninguém, mas vassalagem remete ao período feudal e burguesia, que hoje se tornou a expressão preferida da esquerda ao se referir aos de direita, foi quem promoveu a revolução francesa com os ideais de Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Então, na minha visão, é totalmente incoerente esta referência em tom pejorativo.
Enquanto a manifestação estava sendo organizada, o que mais se “gritava” era sobre a não “perseguição” dos manifestantes ao Aécio e os seus conchavos do PSDB. Resultado, eles foram à manifestação e quase foram enxotados pelo pessoal que vestia amarelo ao som de palavras amistosas como “Ladrões” e “oportunistas”.
Teve até gente chamando os manifestantes de nazistas e dizendo que “a semente fascista foi plantada”! Essa eu não vou nem comentar.
Enfim, tiveram tentativas e mais tentativas de desacreditar a manifestação. O que ficou bem claro no dia de hoje foi que existe uma grande parte da população mobilizada para mudar os rumos do país para melhor, preocupada com o futuro da nação, interessada em uma resolução jurídica contra todos os corruptos e interessada no fim da impunidade. E existe uma parcela, um pouco menor, interessada única e exclusivamente em defender “O Partido”.
Se forem à rua pedir para prender um político “do partido”, é golpe. Se fizerem manifestação para impeachment, é golpe. Não importa quais crimes estejam sendo investigados. Não importam quais sejam as fraudes. Se for contra O Partido, é golpe. Mas o contraditório é que o líder do Partido ficou famoso fazendo manifestações e greves.
No fim, acho que foi válida a manifestação. É bom ver que o povo brasileiro está criando esta cultura de ir às ruas reivindicar seus direitos e fazer valer a sua voz. Mas toda esta insatisfação com o cenário atual tem que ser mostrado também nas urnas. Não adianta sair de casa, cantar o hino nacional, gritar e bradar “fora fulana, fora ciclana”, mas na hora do voto, digitar o número do político X que responde a mil e um processos, é acusado em não sei quantos países, porque ele “rouba, mas faz”! Essa é a cultura que tem de acabar.  Não adianta iniciar uma caça às bruxas, prender mil e um políticos, mas votar nos mesmos políticos de sempre que escapam de todas as investigações.

É um primeiro passo. É bom ver o brasileiro ir à rua por um motivo diferente de 20 centavos. Mas que nas próximas manifestações outros gritos sejam entoados como “reforma política”, “reforma tributária”, “melhoria na saúde” e etc. Mas tudo começa com um primeiro passo. E o primeiro passo é retirar todos os maus elementos da política brasileira e fazê-los pagar o que devem à justiça. Como uma árvore a ser despida no outono, precisamos tirar todas as folhas velhas antes de florescer. 

sábado, 12 de março de 2016

Momento Literário - "A Sombra Do Vento" - Carlos Ruiz Záfon

No momento literário de hoje, gostaria de falar do livro “A Sombra do Vento”, do escritor espanhol, Carlos Ruiz Záfon. É uma obra muito bem elaborada, com um toque de romance misturado com suspense, capaz de prender o leitor da primeira à última página.
A obra se passa na Barcelona de 1945 e toda sua trama se desenvolve em torno do livro homônimo à obra. Daniel Sempere encontra o livro quando o seu pai o leva para passear no Cemitério dos Livros Esquecidos. Ao ser incentivado a escolher um livro para si, o protagonista de depara com “A Sombra do Vento”, obra de um autor de pouco prestígio e cujo passado vai perseguir Daniel pelas ruas da cidade.
Enquanto busca por pistas que lhe revelem a verdade sobre o passado do autor, o protagonista se verá diante de momentos de suspense, romance e ação que tornam sua história quase que uma cópia fiel à história do escritor.
Esta obra prende não só pela sua escrita muito bem elaborada, mas principalmente pela forma como harmoniza os flashbacks com os momentos atuais da obra, sendo cada página um novo mistério e ao mesmo tempo uma resposta para as questões que são levantadas na cabeça do autor durante a obra.

Quem deseja uma literatura fácil e empolgante, este livro não irá decepcionar. Um livro sem personagens desnecessários. Cada nome presente no livro acrescenta um novo ponto ao mistério nuclear da obra, de tal forma que o a atenção do leitor será instigada ao máximo, colocando à prova toda sua intuição e capacidade de dedução. 


sexta-feira, 11 de março de 2016

Destaque Musical - Homenagens Póstumas

           Em algumas oportunidades as bandas se utilizam da música ou de um clipe para homenagear algum companheiro ou alguém especial para os componentes do grupo que partiram para uma melhor. Geralmente são clipes ou músicas mais reflexivas, com um teor fúnebre e mórbido. Mas há ocasiões onde a banda encaixa a homenagem de uma maneira natural, de forma que não altera o contexto do trabalho e nem por isso torna a homenagem mais fria. 
Seguem aqui dois clipes de duas bandas que fizeram homenagens aos seus ex integrantes. 


SANTERIA - SUBLIME

SO FAR AWAY - AVENGED SEVENFOLD

quinta-feira, 10 de março de 2016

Destaque Musical - "Take me to church - Hozier"

      O Destaque Musical de hoje fica por conta do músico Irlandês Andrew Hozier-Byrne, mais conhecido apenas como Hozier. Esta música com uma sonoridade muito bem elaborada somada a uma letra muito inspirada, ajudaram este clipe impactante a alcançar números expressivos no YouTube.


Take me to church - Hozier





segunda-feira, 7 de março de 2016

Destaque Musical - "Perfeição" - Legião Urbana

       O Destaque Musical de hoje fica por conta de "Perfeição" do Legião Urbana. Eu considero esta letra como sendo uma das melhores músicas de protesto de todos os tempos. Em tempos de crises, discussões políticas, falsas esperanças em um país melhor, desejo de mudança pela atitude alheia e alienação de nossa juventude, nada como uma reflexão sobre os verdadeiros motivos de todo este caos político hoje instalado na nossa nação. 
       A crise está aí! Ela existe! A desilusão acena do futuro, mas não nos preocupamos em aprender com o passado. Nos colocamos a disposição, única e exclusivamente, do presente, um carpe diem sem fim, onde não importa para onde estamos indo, desde que haja carnaval no final do caminho. E assim vamos consumindo o que nos vendem a preço de ouro o que é feito com lixo. Mas tudo bem... a culpa nunca é nossa. 


PERFEIÇÃO - LEGIÃO URBANA

sábado, 5 de março de 2016

O BRASIL DEIXADO DE LADO



Os últimos acontecimentos políticos no país tem deixado grande parte da população eufórica com um suposto “fim da impunidade” aos corruptos da nação. Pessoas pró, pessoas contra, pessoas em cima do muro, pessoas alienadas que nem sabem do que se trata, pessoas que estão preocupadas com a alta de 30 centavos nas passagens de ônibus, pessoas que só estão preocupadas com a tomorrowland, enfim... pessoas de todos os gêneros, querendo um mundo melhor a sua maneira. Mas qual mundo?
A verdade é que o país se polarizou. Instituímos uma guerra fria dentro dos nossos limites de soberania onde é proibido não emitir uma opinião onde não se condene alguém ou se condene todos. De um lado temos os opressores fascistas (ainda considero contraditório ligar a direita ao fascismo, mas...) com seu ódio pelas minorias, com sua homofobia, com seu racismo velado (muitas vezes declarado); do outro lado, temos a classe operária vândala e usurpadora, com suas milhares de teses sobre como construir um país melhor à custa do dinheiro alheio, com suas pregações de ódio contra os empresários, agitando seus braços com relógios “Tissot”, espalhando suas doutrinações por todas as universidades do país em grupos alimentados por textos digitados em Iphones 6 S.
Mas qual é a discussão mesmo? Qual o foco? Qual o sentido? Queremos ver todos presos, menos aquele a quem simpatizamos. Queremos que todos os corruptos sejam execrados, caçados, humilhados, arrasados, menos aquele em quem votamos. Do nosso candidato tudo se perdoa. Do candidato do outro polo, tudo se condena. Do nosso candidato defendemos a ampla defesa, o contraditório, o direito de que ninguém seja considerado culpado sem o devido processo legal transitado em julgado, consideramos ilegal o vazamento da delação premiada; mas do político do outro polo tudo é lícito, desde que ele seja massacrado, exterminado, extirpado de nossa convivência... propagamos o ódio como se fosse amor e nos orgulhamos de fazer isso. E pior, acreditamos que assim nós estamos brigando pelo futuro da nação.
Militantes do lado “A” e do lado “B” se enfrentam na parte externa, em defesa de uma democracia fictícia que nos vendem a todo o momento, sem sabermos que todos são gado indo para o abate. Acham que chamar a prisão de um acusado de golpe é defender os interesses nacionais. Não estão preocupados com o fato de que milhões, bilhões, trilhões já foram roubados nos últimos 10, 15, 20, 30 anos! Não se preocupam com o fato de que milhares de pessoas estão morrendo por conta de uma saúde deplorável, que pessoas não recebem sua aposentadoria de forma digna porque a previdência nunca fecha sua conta, não se importam com o fato de não se poder sair na rua às 20:00 sem o medo de ser estuprado, assaltado, morto, torturado.
Não importa quanto já foi surrupiado da nossa nação. Se foi por alguém do meu partido, está justificado! Esse tipo de pensamento vem minando nossa nação, vem enfraquecendo nossa força diante dos investidores, vem aumentando a desconfiança do mercado, mas ainda preferimos discutir se estrelas são melhores que tucanos! Uma baboseira sem fim travestida de vermelho ou azul! Uma polarização sem sentido de problemas que não serão solucionados com embates de militantes. Compra-se fácil os discursos bem pautados em teses filosóficas de pensadores que nunca moraram em países onde a doutrina que pregavam prevalecia. Mas ainda assim, insistem em se digladiar porque alguém virou réu ou foi dar um depoimento.
Tudo é golpe. A pergunta que fazem é “por que os fulanos de tal partido não são presos”? Meu mais sincero f... –se! Tem que ser preso todo mundo que é corrupto independente da cor que veste ou do mascote do partido! Isto não é um jogo de futebol onde meu time ganha somente quando o seu perde! Isto é o futuro de um país.
O nosso país caminha a passos largos para se tornar como nações vizinhas onde se falta de tudo nas prateleiras dos supermercados, onde a mídia é censurada, onde filas gigantescas formam-se na frente de lojas; mas nossa preocupação é se o “Pai dos pobres” foi prestar depoimento! Que vá! Se não deve nada, que preste depoimento! Que preste depoimento o “pai dos ricos” também! Que preste depoimento o dono do aeroporto “sem dono”! Que preste depoimento o ex-BBB sem projetos relevantes para o país! Que preste depoimento todos aqueles que foram citados em algum momento! Não importa o partido; importa é que todo esse capital que foi extraído dos cofres públicos seja reposto. Importa é que as pessoas parem de morrer na fila do SUS! O SUS não melhorou nos últimos 30 anos e não importa qual foi a m... de partido que entrou naquele Palácio! As estradas estão uma b... a 30 anos e as famílias que perderam seus parentes em acidentes de trânsito estão pouco se f... para qual o nome do presidente!

Está na hora do país pensar mais como nação e menos como escola de samba. Nossas crianças precisam ser alfabetizadas de forma verdadeira e não cobertas por números maquiados numa propaganda tão enganosa que nem o marqueteiro que a fez acredita! Está na hora de realmente tirar os pobres de sua situação sub-humana, mas sem precisar alterar os dados estatísticos! Está na hora dos brasileiros se unirem para colocar todos os que devem atrás das grades, pois é o que de fato importa para a nação. Mas no momento, o Brasil está deixado de lado!

YURI LUCCHESI

O que é Riqueza? - Parte 2

No post anterior, tentamos refletir acerca da riqueza e sua subjetividade. Também abordamos muito superficialmente do porquê devemos evit...