Chegamos
ao tão esperado 13/03. Chegamos e passamos. Sem problemas de maior vulto. Sem
guerra civil. Sem sangue nas ruas. Pessoas de amarelo e vermelho manifestaram
suas convicções pelas ruas do país, cada um a sua maneira, cada um segundo sua
doutrina e crença no que é melhor para o país. Ok. Esta última frase foi
forçada. Alguns foram às ruas apenas para apoiar seu partido, seu candidato,
seus “santos”, seu ser incorruptível, pois somente ele é capaz de levar o país
para a luz.
Mas
o mais legal do dia é ver a “guerra civil” virtual que isso ocasionou nas redes
sociais. As propagandas e contrapropagandas foram muito bem articuladas de ambos
os lados, dignas de qualquer marqueteiro com prisão decretada. Mas o mais
legal, mesmo, foi perceber que as pessoas perdem o escrúpulo totalmente na hora
de atacar o outro lado.
Teve
gente inteligente dizendo que a Burguesia convocou seus vassalos para sair à
rua. Esse deveria retornar aos bancos
escolares para reaprender que a “suserania e vassalagem” é incompatível com a
burguesia. Não sou professor de história e não é minha intenção dar aula a
ninguém, mas vassalagem remete ao período feudal e burguesia, que hoje se
tornou a expressão preferida da esquerda ao se referir aos de direita, foi quem
promoveu a revolução francesa com os ideais de Igualdade, Liberdade e
Fraternidade. Então, na minha visão, é totalmente incoerente esta referência em
tom pejorativo.
Enquanto
a manifestação estava sendo organizada, o que mais se “gritava” era sobre a não
“perseguição” dos manifestantes ao Aécio e os seus conchavos do PSDB.
Resultado, eles foram à manifestação e quase foram enxotados pelo pessoal que
vestia amarelo ao som de palavras amistosas como “Ladrões” e “oportunistas”.
Teve
até gente chamando os manifestantes de nazistas e dizendo que “a semente
fascista foi plantada”! Essa eu não vou nem comentar.
Enfim,
tiveram tentativas e mais tentativas de desacreditar a manifestação. O que
ficou bem claro no dia de hoje foi que existe uma grande parte da população
mobilizada para mudar os rumos do país para melhor, preocupada com o futuro da nação,
interessada em uma resolução jurídica contra todos os corruptos e interessada no
fim da impunidade. E existe uma parcela, um pouco menor, interessada única e
exclusivamente em defender “O Partido”.
Se
forem à rua pedir para prender um político “do partido”, é golpe. Se fizerem
manifestação para impeachment, é golpe. Não importa quais crimes estejam sendo
investigados. Não importam quais sejam as fraudes. Se for contra O Partido, é
golpe. Mas o contraditório é que o líder do Partido ficou famoso fazendo manifestações
e greves.
No
fim, acho que foi válida a manifestação. É bom ver que o povo brasileiro está
criando esta cultura de ir às ruas reivindicar seus direitos e fazer valer a
sua voz. Mas toda esta insatisfação com o cenário atual tem que ser mostrado também
nas urnas. Não adianta sair de casa, cantar o hino nacional, gritar e bradar “fora
fulana, fora ciclana”, mas na hora do voto, digitar o número do político X que
responde a mil e um processos, é acusado em não sei quantos países, porque ele “rouba,
mas faz”! Essa é a cultura que tem de acabar. Não adianta iniciar uma caça às bruxas, prender
mil e um políticos, mas votar nos mesmos políticos de sempre que escapam de
todas as investigações.
É
um primeiro passo. É bom ver o brasileiro ir à rua por um motivo diferente de
20 centavos. Mas que nas próximas manifestações outros gritos sejam entoados como
“reforma política”, “reforma tributária”, “melhoria na saúde” e etc. Mas tudo começa
com um primeiro passo. E o primeiro passo é retirar todos os maus elementos da
política brasileira e fazê-los pagar o que devem à justiça. Como uma árvore a
ser despida no outono, precisamos tirar todas as folhas velhas antes de
florescer.
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