domingo, 13 de março de 2016

Outono Brasileiro

Chegamos ao tão esperado 13/03. Chegamos e passamos. Sem problemas de maior vulto. Sem guerra civil. Sem sangue nas ruas. Pessoas de amarelo e vermelho manifestaram suas convicções pelas ruas do país, cada um a sua maneira, cada um segundo sua doutrina e crença no que é melhor para o país. Ok. Esta última frase foi forçada. Alguns foram às ruas apenas para apoiar seu partido, seu candidato, seus “santos”, seu ser incorruptível, pois somente ele é capaz de levar o país para a luz.  
Mas o mais legal do dia é ver a “guerra civil” virtual que isso ocasionou nas redes sociais. As propagandas e contrapropagandas foram muito bem articuladas de ambos os lados, dignas de qualquer marqueteiro com prisão decretada. Mas o mais legal, mesmo, foi perceber que as pessoas perdem o escrúpulo totalmente na hora de atacar o outro lado.
Teve gente inteligente dizendo que a Burguesia convocou seus vassalos para sair à rua.  Esse deveria retornar aos bancos escolares para reaprender que a “suserania e vassalagem” é incompatível com a burguesia. Não sou professor de história e não é minha intenção dar aula a ninguém, mas vassalagem remete ao período feudal e burguesia, que hoje se tornou a expressão preferida da esquerda ao se referir aos de direita, foi quem promoveu a revolução francesa com os ideais de Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Então, na minha visão, é totalmente incoerente esta referência em tom pejorativo.
Enquanto a manifestação estava sendo organizada, o que mais se “gritava” era sobre a não “perseguição” dos manifestantes ao Aécio e os seus conchavos do PSDB. Resultado, eles foram à manifestação e quase foram enxotados pelo pessoal que vestia amarelo ao som de palavras amistosas como “Ladrões” e “oportunistas”.
Teve até gente chamando os manifestantes de nazistas e dizendo que “a semente fascista foi plantada”! Essa eu não vou nem comentar.
Enfim, tiveram tentativas e mais tentativas de desacreditar a manifestação. O que ficou bem claro no dia de hoje foi que existe uma grande parte da população mobilizada para mudar os rumos do país para melhor, preocupada com o futuro da nação, interessada em uma resolução jurídica contra todos os corruptos e interessada no fim da impunidade. E existe uma parcela, um pouco menor, interessada única e exclusivamente em defender “O Partido”.
Se forem à rua pedir para prender um político “do partido”, é golpe. Se fizerem manifestação para impeachment, é golpe. Não importa quais crimes estejam sendo investigados. Não importam quais sejam as fraudes. Se for contra O Partido, é golpe. Mas o contraditório é que o líder do Partido ficou famoso fazendo manifestações e greves.
No fim, acho que foi válida a manifestação. É bom ver que o povo brasileiro está criando esta cultura de ir às ruas reivindicar seus direitos e fazer valer a sua voz. Mas toda esta insatisfação com o cenário atual tem que ser mostrado também nas urnas. Não adianta sair de casa, cantar o hino nacional, gritar e bradar “fora fulana, fora ciclana”, mas na hora do voto, digitar o número do político X que responde a mil e um processos, é acusado em não sei quantos países, porque ele “rouba, mas faz”! Essa é a cultura que tem de acabar.  Não adianta iniciar uma caça às bruxas, prender mil e um políticos, mas votar nos mesmos políticos de sempre que escapam de todas as investigações.

É um primeiro passo. É bom ver o brasileiro ir à rua por um motivo diferente de 20 centavos. Mas que nas próximas manifestações outros gritos sejam entoados como “reforma política”, “reforma tributária”, “melhoria na saúde” e etc. Mas tudo começa com um primeiro passo. E o primeiro passo é retirar todos os maus elementos da política brasileira e fazê-los pagar o que devem à justiça. Como uma árvore a ser despida no outono, precisamos tirar todas as folhas velhas antes de florescer. 

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