sábado, 13 de julho de 2019

O que é Riqueza? - Parte 2


No post anterior, tentamos refletir acerca da riqueza e sua subjetividade. Também abordamos muito superficialmente do porquê devemos evitar receitas mágicas que nos são oferecidas para atingir o sucesso financeiro.
Agora, vamos tentar conceituar riqueza e como alcançá-la através dos investimentos dentro do mercado financeiro.
A riqueza pode ser entendida como um aumento substancial de patrimônio. Dentro dessa visão, podemos defini-la como uma ação (atitude, movimento). Tentar qualificá-la de forma literal como um substantivo abstrato, nos conduz a uma busca infinita por algo indeterminado e inatingível. Em outras palavras, riqueza está muito mais no ato de saber ganhar e manter o dinheiro em seu patrimônio do que buscar uma quantia previamente estabelecida. Esta última seria como o pote de ouro do fim do arco-íris.
           Vamos exemplificar: cada pessoa que entra no mercado financeiro, tendo já um valor inicial ou não, traça uma quantia que serve de objetivo que o levará a chamada “independência financeira”, aquele patamar onde a pessoa pode abrir mão de rendas de emprego em geral para viver somente da renda proveniente dos rendimentos do investimento.
Mas atingir a independência financeira não significa necessariamente ser rico. Chegar ao ponto onde “não se precisa trabalhar” só aumenta a necessidade de manter o foco e traçar novas metas para manter aquele patamar conquistado além de prosseguir no aumento contínuo do patrimônio para que a inflação, impostos e demais despesas não venha a consumir seu dinheiro por inteiro.
Vemos assim que a riqueza está na ação de manter o acumulo patrimonial ao longo da vida. Logo, ser rico está mais em ter o conhecimento e manter uma atitude proativa em relação a aumentar seu patrimônio, do que atingir um número pré-determinado.

Como começar a investir?
Como não sou afeito a receitas no mundo dos investimentos, vou passar dicas e experiências para ajudar aqueles que se interessam e querem entrar no mercado financeiro.
O mais importante é estudar. Estudar sempre! Estudar continuamente! Estudar incessantemente! O melhor investimento que existe é o conhecimento. Eu comecei lendo livros que misturavam situações práticas com a teoria. (Se tiverem curiosidade, leiam o post O Vírus da Riqueza - Livros que podem te ajudar com os primeiros passos no mundo das finanças)
Após ler alguns livros sobre finanças, escolhi fazer cursos sobre investimentos. Recomendo cursos para iniciantes que falem de todos os investimentos de forma superficial, apresentando as principais características de cada um, falando sobre seus riscos, vantagens e rendimento.  Após estes cursos, leia o máximo que puder sobre como montar carteiras. A medida que você for conhecendo mais sobre o mercado, vai entender o quão importante é nunca colocar todo seu dinheiro em um tipo de investimento.
Após isso, já tendo investido, continue fazendo cursos específicos daqueles investimentos que mais te interessam dentro do seu perfil de investidor (conservador, moderado e agressivo).
Uma vez criada a rotina de estudos, o céu é o limite. Quando estiver dominando o conhecimento de um investimento, já souber muito sobre ele (nunca será tudo, acreditem), busque outro e repita todo o processo. Essa diversidade do conhecimento sobre vários investimentos vai permitir que você entenda como atuar no mercado, traçando as famosas “estratégias de investimento” e fugindo do senso comum. É um caminho longo, mas promissor.
Como e quanto investir inicialmente é muito peculiar. Robert Kiyosaki em Pai Rico, Pai Pobre afirma que todo investidor se tiver que perder tudo o que investe que seja antes dos 30 anos. Com isso, podemos entender que quanto mais novo, mais agressivo poderá ser seu perfil. Esta definição caminha na direção contrária do senso comum. A maioria dos digitais influencers afirmam que você deve começar com investimentos conservadores, passar para investimentos mais moderados e, somente quando tiver uma base sólida, partir para investimentos agressivos.
Eu digo que você tem que entender mais a si mesmo do que o mercado antes de começar. Como você reagirá diante de possíveis perdas? Como você reagirá diante de um ganho expressivo? Você está preparado para não desistir se perder todo seu primeiro aporte? Você irá manter a cabeça no lugar para não se empolgar demasiadamente caso ganhe muito na primeira negociação? Entender a si mesmo, seu momento, sua idade, sua personalidade, sua saúde financeira e seu psicológico, é mais importante do que saber as bases teóricas dos investimentos.
Vamos exemplificar. Vamos imaginar duas pessoas que querem começar no mercado. As duas têm 40 anos. A pessoa A tem um emprego público, ganha 7 salários mínimos, tem uma vida financeira equilibrada, casado, tem 4 filhos em idade escolar, esposa não trabalha e é conhecido por ser uma pessoa calma diante de situações difíceis e bastante racional. A pessoa B, por sua vez, é autônomo, não recebe renda fixa, ganha 2 salários mínimos em média, solteiro, sem filhos, vida financeira turbulenta, algumas dívidas de baixa monta e fáceis de serem quitadas; é conhecido por ser estressado, principalmente em momentos difíceis e costuma se vangloriar diante de pequenas vitórias. Acho que já conseguem traçar um perfil básico de investidor para cada um, certo? Eu não. Percebem a complexidade das variáveis? Há profissionais especializados em analisar a vida financeira das pessoas e traçar perfis. Mas se basear unicamente em números para decidir investir é muito perigoso.
Mas uma coisa é certa. Robert Kiyosaki é bem direto quando afirma que para ser rica uma pessoa tem que saber assumir riscos. Mas assumir riscos significa administrar riscos. Saber o quanto se pode perder e como evitar que esses riscos tirem você do mercado. E isso, só muito estudo pode fazer.
Ele complementa dizendo que quem quiser ser Classe Média a vida inteira, basta investir em fundos coletivos e investir sempre em papéis de baixo risco.
Em suma, ficam algumas dicas de passos para seguir antes de investir e durante os investimentos:
1.    Busque o máximo de conhecimento que puder (livros, cursos, palestras, relatórios);
2.    Faça um mapeamento da sua saúde financeira. Entenda quais são suas receitas, suas despesas, seus ativos e seus passivos (próxima postagem);
3.    Faça um estudo de si mesmo. Entenda como você e aqueles que dependem de você podem ser afetados pelos ganhos e perdas do mercado;
4.    Comece já;
5.    Fuja das “mágicas” que te oferecem. Prefira ganhar 7% ao ano com um investimento que você confia e conhece do que 200% ao mês com algo duvidoso;
6.    Administre os riscos. Sempre que for fazer uma aplicação calcule e anote o quanto você disposto a perder;
7.    Nunca coloque todos os ovos numa única cesta. Diversifique os investimentos;
8.    Reinvista dividendos e proventos;
9.    Continue estudando sempre; e
10. Nunca baseie sua vida financeira na experiência alheia. Cada um tem seu tempo e cada um sabe quais riscos pode ou não assumir. Aprenda com os outros e use a experiência alheia como mais um conhecimento para traçar a própria estratégia.

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