No post anterior, tentamos refletir acerca
da riqueza e sua subjetividade. Também abordamos muito superficialmente do
porquê devemos evitar receitas mágicas que nos são oferecidas para atingir o
sucesso financeiro.
Agora,
vamos tentar conceituar riqueza e como alcançá-la através dos investimentos
dentro do mercado financeiro.
A
riqueza pode ser entendida como um aumento substancial de patrimônio. Dentro
dessa visão, podemos defini-la como uma ação (atitude, movimento). Tentar
qualificá-la de forma literal como um substantivo abstrato, nos conduz a uma
busca infinita por algo indeterminado e inatingível. Em outras palavras,
riqueza está muito mais no ato de saber ganhar e manter o dinheiro em seu
patrimônio do que buscar uma quantia previamente estabelecida. Esta última
seria como o pote de ouro do fim do arco-íris.
Mas
atingir a independência financeira não significa necessariamente ser rico.
Chegar ao ponto onde “não se precisa trabalhar” só aumenta a necessidade de
manter o foco e traçar novas metas para manter aquele patamar conquistado além
de prosseguir no aumento contínuo do patrimônio para que a inflação, impostos e
demais despesas não venha a consumir seu dinheiro por inteiro.
Vemos
assim que a riqueza está na ação de manter o acumulo patrimonial ao longo da
vida. Logo, ser rico está mais em ter o conhecimento e manter uma atitude proativa
em relação a aumentar seu patrimônio, do que atingir um número
pré-determinado.
Como
começar a investir?
Como
não sou afeito a receitas no mundo dos investimentos, vou passar dicas e
experiências para ajudar aqueles que se interessam e querem entrar no mercado
financeiro.
O
mais importante é estudar. Estudar sempre! Estudar continuamente! Estudar
incessantemente! O melhor investimento que existe é o conhecimento. Eu comecei
lendo livros que misturavam situações práticas com a teoria. (Se tiverem
curiosidade, leiam o post O Vírus da Riqueza - Livros que podem te ajudar com os primeiros passos no mundo das finanças)
Após
ler alguns livros sobre finanças, escolhi fazer cursos sobre investimentos. Recomendo
cursos para iniciantes que falem de todos os investimentos de forma
superficial, apresentando as principais características de cada um, falando
sobre seus riscos, vantagens e rendimento.
Após estes cursos, leia o máximo que puder sobre como montar carteiras.
A medida que você for conhecendo mais sobre o mercado, vai entender o quão
importante é nunca colocar todo seu dinheiro em um tipo de investimento.
Após
isso, já tendo investido, continue fazendo cursos específicos daqueles
investimentos que mais te interessam dentro do seu perfil de investidor
(conservador, moderado e agressivo).
Uma
vez criada a rotina de estudos, o céu é o limite. Quando estiver dominando o
conhecimento de um investimento, já souber muito sobre ele (nunca será tudo,
acreditem), busque outro e repita todo o processo. Essa diversidade do
conhecimento sobre vários investimentos vai permitir que você entenda como
atuar no mercado, traçando as famosas “estratégias de investimento” e fugindo
do senso comum. É um caminho longo, mas promissor.
Como
e quanto investir inicialmente é muito peculiar. Robert Kiyosaki em Pai Rico,
Pai Pobre afirma que todo investidor se tiver que perder tudo o que investe que
seja antes dos 30 anos. Com isso, podemos entender que quanto mais novo, mais
agressivo poderá ser seu perfil. Esta definição caminha na direção contrária do
senso comum. A maioria dos digitais
influencers afirmam que você deve começar com investimentos conservadores,
passar para investimentos mais moderados e, somente quando tiver uma base
sólida, partir para investimentos agressivos.
Eu
digo que você tem que entender mais a si mesmo do que o mercado antes de começar.
Como você reagirá diante de possíveis perdas? Como você reagirá diante de um
ganho expressivo? Você está preparado para não desistir se perder todo seu
primeiro aporte? Você irá manter a cabeça no lugar para não se empolgar
demasiadamente caso ganhe muito na primeira negociação? Entender a si mesmo,
seu momento, sua idade, sua personalidade, sua saúde financeira e seu
psicológico, é mais importante do que saber as bases teóricas dos
investimentos.
Vamos
exemplificar. Vamos imaginar duas pessoas que querem começar no mercado. As
duas têm 40 anos. A pessoa A tem um emprego público, ganha 7 salários mínimos,
tem uma vida financeira equilibrada, casado, tem 4 filhos em idade escolar,
esposa não trabalha e é conhecido por ser uma pessoa calma diante de situações
difíceis e bastante racional. A pessoa B, por sua vez, é autônomo, não recebe
renda fixa, ganha 2 salários mínimos em média, solteiro, sem filhos, vida
financeira turbulenta, algumas dívidas de baixa monta e fáceis de serem
quitadas; é conhecido por ser estressado, principalmente em momentos difíceis e
costuma se vangloriar diante de pequenas vitórias. Acho que já conseguem traçar
um perfil básico de investidor para cada um, certo? Eu não. Percebem a
complexidade das variáveis? Há profissionais especializados em analisar a vida
financeira das pessoas e traçar perfis. Mas se basear unicamente em números
para decidir investir é muito perigoso.
Mas
uma coisa é certa. Robert Kiyosaki é bem direto quando afirma que para ser rica
uma pessoa tem que saber assumir riscos. Mas assumir riscos significa administrar riscos. Saber o quanto se pode perder e como evitar que
esses riscos tirem você do mercado. E isso, só muito estudo pode fazer.
Ele
complementa dizendo que quem quiser ser Classe Média a vida inteira, basta
investir em fundos coletivos e investir sempre em papéis de baixo risco.
Em
suma, ficam algumas dicas de passos para seguir antes de investir e durante os investimentos:
1.
Busque o máximo de conhecimento que puder
(livros, cursos, palestras, relatórios);
2.
Faça um mapeamento da sua saúde financeira.
Entenda quais são suas receitas, suas despesas, seus ativos e seus passivos
(próxima postagem);
3.
Faça um estudo de si mesmo. Entenda como você
e aqueles que dependem de você podem ser afetados pelos ganhos e perdas do
mercado;
4.
Comece já;
5.
Fuja das “mágicas” que te oferecem. Prefira
ganhar 7% ao ano com um investimento que você confia e conhece do que 200% ao
mês com algo duvidoso;
6.
Administre os riscos. Sempre que for fazer
uma aplicação calcule e anote o quanto você disposto a perder;
7.
Nunca coloque todos os ovos numa única cesta.
Diversifique os investimentos;
8.
Reinvista dividendos e proventos;
9.
Continue estudando sempre; e
10.
Nunca baseie sua vida financeira na
experiência alheia. Cada um tem seu tempo e cada um sabe quais riscos pode ou
não assumir. Aprenda com os outros e use a experiência alheia como mais um
conhecimento para traçar a própria estratégia.
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