quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

O Vírus da Riqueza - Livros que podem te ajudar com os primeiros passos no mundo das finanças



Meu pai sempre brincava dizendo que quando se quer ficar rico, basta escrever um livro sobre como ficar rico. E o primeiro parágrafo deve ser “o segredo para ficar rico é escrever um livro sobre como ficar rico”.

O desejo pela riqueza é algo inerente ao ser humano. Seja pela inveja, seja pelos desejos insaciáveis de posse ou pela busca incessante de poder, obter o vil metal é o desejo mais humano que existe. Mas nós não somos programados para ficar ricos. Não sabemos ficar ricos. Não somos realmente instruídos a sermos ricos quando crianças.


Frequentamos creche, escola, faculdade, pós-graduação, várias pós-graduações, mas nada disso ensina, de fato, a ficar rico. Somos induzidos a crescer e envelhecer acreditando que o segredo para sermos ricos está em termos uma boa instrução curricular e conseguirmos um bom emprego e assim conseguiremos fortuna. Aliás, chamamos de fortuna o acúmulo de riquezas porque desde sempre aprendemos que riqueza tem muito a ver com sorte, tanto que em Latim é justamente um dos seus significados. Uma pessoa de boa sorte é uma pessoa afortunada. Quando estamos com poucos materiais à mão e precisamos resolver um problema, lançamos mão dos “meios de fortuna”.

Olhamos os mais ricos e dizemos que eles têm sorte. São afortunados por terem conseguido riquezas. São pessoas a quem a sorte lhes sorriu. Olhamos com desprezo e dizemos que são ricas apenas por terem herdado algum valor, ou porque investiram em um negócio próprio no momento certo, ou, pior, que são ricas por terem negócios escusos.

E, de certa forma, fruto deste despreparo coletivo para acumular riquezas, a expressão “sorte” bem que se aplica de certo às pessoas que conseguem juntar um patrimônio, pois a maioria não o consegue por colocar em prática um conhecimento sobre finanças, mas sim acumulam algum valor por características pessoais aleatórias como inexistência de vícios, estilo de vida mais econômico sem nem pensar em dinheiro, ou, até mesmo, pertencerem a alguma religião que por dogmas restritivos os conduzem por uma vida de privações que tem como consequência o acúmulo de algum valor relativamente alto. São milhares de hipóteses, menos, na maioria dos casos, uma decisão financeira.

Mas antes que nos apressemos sentenciando-nos como meros invejosos, a verdade é um pouco mais complicada. Como apresentado anteriormente, não somos ensinados a sermos ricos. Não somos instigados a buscar nossa riqueza de maneira realmente efetiva. Não aprendemos a ser ricos nas escolas ou faculdades. Com isso, por não sabermos ficar ricos, acabamos acreditando em tudo ou qualquer coisa que nos apresentam que seja “capaz” de nos deixar “ricos” da noite para o dia. Acreditamos na loteria e enchemos as casas lotéricas no final do ano. Acreditamos nas Empresas de Marketing Multinível (Pirâmides) e gastamos FGTS, 13º Salário, empréstimos e tudo mais para depois arcarmos com o prejuízo da falência. Tudo porque queremos ser ricos, mas não queremos aprender a ser ricos.

A dificuldade “não está” em ganhar 200 milhões na Mega Sena da virada. Acredite ou não, esta é a parte “fácil”. Difícil é terminar os próximos 10 anos com a mesma família e com o dinheiro. Mais difícil ainda é depois de 10 anos ter na conta 201 milhões. Assim como as pirâmides... é fácil ganhar 150% do valor investido em 2 meses. Difícil é não investir 300% do lucro para depois arcar com o prejuízo quando a empresa pede falência. Ou quando os donos simplesmente fogem. Tudo porque acreditamos realmente que ser rico é ter sorte.

E esta horda desesperada e despreparada é quem cria as centenas de “gurus” ensinando os “segredos da riqueza”. Pessoas que ganham dinheiro e mais dinheiro dos auditórios lotados daqueles que querem ficar ricos amanhã. Esses gurus charlatões se escondem em termos bonitos como Coaching, ensinando a fazer networking, adquirir know-how e mais um monte de palavras em inglês para mostrar uma falsa ideia de intelecto para vender um produto ou um conhecimento inexistente e que só vão deixar todos seus aprendizes ainda mais pobres.

Mas em meio a este mar de conhecimento débil, imerso num oceano infinito de autoajudas sem sentido e charlatões de toda ordem, é possível ainda encontrar algumas obras que de fato podem dar uma ajuda na busca pela tão sonhada independência financeira. Geralmente são livros ou palestrantes que NÃO prometem deixar ninguém rico. A ideia principal destas obras é justamente levar o leitor a entender como a roda do dinheiro funciona mostrando ideias chaves. Inicialmente eles mostram que quem quer alcançar riqueza deve estudar incessantemente o assunto. O aprendizado e a constante atualização são as chaves do sucesso no mundo das finanças. Em seguida eles dão sugestões de como colocar em prática ideias simples como guardar parte da renda de maneira quase sagrada. E por último, estimulam a tornar certas atitudes de acúmulo de riqueza em hábitos cotidianos como poupar e investir.

Fica aqui a dica de 4 obras que podem ajudar sobremaneira a tomar a traçar estratégias e tomar atitudes para alcançar a independência financeira.

DESPERTE O MILIONÁRIO QUE HÁ EM VOCÊ (Carlos Wizard Martins)
É um bom livro de entrada no assunto de finanças pessoais. O autor passa uma série de experiências pessoais de como fazer a mente trabalhar de uma maneira a ganhar dinheiro mesmo nos momentos de crise econômica. Em certos pontos do livro ele aborda técnicas de poupança e de valorização pessoal que podem ajudar bastante no crescimento pessoal.

PAI RICO, PAI POBRE (Robert Kiyosaki e Sharon L. Lechter)

Esta obra já trata do assunto de maneira mais elaborada, mas com uma linguagem acessível e instigante. Os autores tratam de mostrar ao leitor como sair do que eles chamam de “corrida de ratos”  e buscar ver o mundo das finanças por uma ótica diferente da maioria. Este livro é particularmente válido por desmistificar certos aspectos de investimentos que aprendemos desde crianças como o de que devemos comprar um imóvel o quanto antes. Mas o ponto mais importante do livro é a relevância dada pelos autores ao conhecimento. Durante toda a obra eles mostram como aprender sobre finanças é realmente a “alma do negócio”.


O HOMEM MAIS RICO DA BABILÔNIA (George Samuel Clason)
Leitura obrigatória para quem quer ter dinheiro um dia! A fórmula do livro é relativamente simples: a cada salário, invista (guarde, poupe, acumule) 10%. Parece fácil (e é), mas todo mundo complica. Seja porque quer guardar estes 10% na poupança e vê a inflação derreter o dinheiro, seja porque a tentação é grande demais para manter as “10 moedas de prata” na carteira, a fórmula do livro é simples, mas nós somos capazes de torná-la quase impossível. Mas vale muito a pena ler este livro em conjunto com o anterior.

O PODER DO HÁBITO (Charles Duhigg)
O livro não é sobre finanças, mas pode ser aplicado para tudo na vida. E criar o hábito de poupar e investir vai ser útil na sua caminhada rumo à riqueza. O livro mostra como funciona o processo de criação do hábito e como fazer para mudar hábitos ruins transformando-os em hábitos mais saudáveis. Vale muito a pena a leitura ao final dos anteriores para dar aquela ajuda na arte de poupar e investir.


Sim, existem diversas outras obras muito interessantes que não foram abordadas aqui. Cada um pode acabar se identificando mais com uma do que com outra. Mas a ideia principal é sempre a mesma: Não pare de estudar o assunto. Sempre que recomendarem um novo livro, busque ler comentários, resenhas e a obra em si. Para identificar se o livro é de fato útil ou se não passa de um monte de baboseiras de um charlatão que quer ficar rico em cima de você, basta identificar como o autor escreve. Se for recheado de termos estrangeiros, uma necessidade quase que absurda de demonstrar um conhecimento em outra língua, quase 100% de chance de ser perda de tempo. Claro, livros técnicos como os que descrevem certos investimentos, fatalmente trarão diversos termos em idiomas variados. Mas se for uma obra com muitas experiências pessoais, estudos acadêmicos completados por casos práticos, sinal que vale a pena ganhar um tempo dando uma lida.

O mais importante é ser contagiado o quanto antes pelo Vírus da Riqueza. Há que se entender que não se vai muito longe guardando o que sobra do final do mês (porque geralmente não sobra se você não guardar antes), nem colocando mesadinha na poupança. Muito menos fazendo fezinha na loteria ou investindo em Pirâmide. Quando você entender o que move o dinheiro, você aprenderá a fazer a sua própria sorte.

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