Meu
pai sempre brincava dizendo que quando se quer ficar rico, basta escrever um
livro sobre como ficar rico. E o primeiro parágrafo deve ser “o segredo para
ficar rico é escrever um livro sobre como ficar rico”.
O
desejo pela riqueza é algo inerente ao ser humano. Seja pela inveja, seja pelos
desejos insaciáveis de posse ou pela busca incessante de poder, obter o vil
metal é o desejo mais humano que existe. Mas nós não somos programados para
ficar ricos. Não sabemos ficar ricos. Não somos realmente instruídos a sermos
ricos quando crianças.
Frequentamos
creche, escola, faculdade, pós-graduação, várias pós-graduações, mas nada disso
ensina, de fato, a ficar rico. Somos induzidos a crescer e envelhecer
acreditando que o segredo para sermos ricos está em termos uma boa instrução
curricular e conseguirmos um bom emprego e assim conseguiremos fortuna. Aliás,
chamamos de fortuna o acúmulo de riquezas porque desde sempre aprendemos que
riqueza tem muito a ver com sorte, tanto que em Latim é justamente um dos seus significados.
Uma pessoa de boa sorte é uma pessoa afortunada. Quando estamos com poucos
materiais à mão e precisamos resolver um problema, lançamos mão dos “meios de
fortuna”.
Olhamos
os mais ricos e dizemos que eles têm sorte. São afortunados por terem
conseguido riquezas. São pessoas a quem a sorte lhes sorriu. Olhamos com
desprezo e dizemos que são ricas apenas por terem herdado algum valor, ou
porque investiram em um negócio próprio no momento certo, ou, pior, que são
ricas por terem negócios escusos.
E,
de certa forma, fruto deste despreparo coletivo para acumular riquezas, a expressão
“sorte” bem que se aplica de certo às pessoas que conseguem juntar um patrimônio,
pois a maioria não o consegue por colocar em prática um conhecimento sobre
finanças, mas sim acumulam algum valor por características pessoais aleatórias
como inexistência de vícios, estilo de vida mais econômico sem nem pensar em
dinheiro, ou, até mesmo, pertencerem a alguma religião que por dogmas
restritivos os conduzem por uma vida de privações que tem como consequência o
acúmulo de algum valor relativamente alto. São milhares de hipóteses, menos, na
maioria dos casos, uma decisão financeira.
Mas
antes que nos apressemos sentenciando-nos como meros invejosos, a verdade é um
pouco mais complicada. Como apresentado anteriormente, não somos ensinados a
sermos ricos. Não somos instigados a buscar nossa riqueza de maneira realmente
efetiva. Não aprendemos a ser ricos nas escolas ou faculdades. Com isso, por
não sabermos ficar ricos, acabamos acreditando em tudo ou qualquer coisa que
nos apresentam que seja “capaz” de nos deixar “ricos” da noite para o dia.
Acreditamos na loteria e enchemos as casas lotéricas no final do ano. Acreditamos
nas Empresas de Marketing Multinível (Pirâmides) e gastamos FGTS, 13º Salário,
empréstimos e tudo mais para depois arcarmos com o prejuízo da falência. Tudo
porque queremos ser ricos, mas não queremos aprender a ser ricos.
A
dificuldade “não está” em ganhar 200 milhões na Mega Sena da virada. Acredite
ou não, esta é a parte “fácil”. Difícil é terminar os próximos 10 anos com a
mesma família e com o dinheiro. Mais difícil ainda é depois de 10 anos ter na
conta 201 milhões. Assim como as pirâmides... é fácil ganhar 150% do valor investido
em 2 meses. Difícil é não investir 300% do lucro para depois arcar com o
prejuízo quando a empresa pede falência. Ou quando os donos simplesmente fogem.
Tudo porque acreditamos realmente que ser rico é ter sorte.
E
esta horda desesperada e despreparada é quem cria as centenas de “gurus”
ensinando os “segredos da riqueza”. Pessoas que ganham dinheiro e mais dinheiro
dos auditórios lotados daqueles que querem ficar ricos amanhã. Esses gurus
charlatões se escondem em termos bonitos como Coaching, ensinando a fazer networking,
adquirir know-how e mais um monte de
palavras em inglês para mostrar uma falsa ideia de intelecto para vender um
produto ou um conhecimento inexistente e que só vão deixar todos seus
aprendizes ainda mais pobres.
Mas
em meio a este mar de conhecimento débil, imerso num oceano infinito de
autoajudas sem sentido e charlatões de toda ordem, é possível ainda encontrar
algumas obras que de fato podem dar uma ajuda na busca pela tão sonhada
independência financeira. Geralmente são livros ou palestrantes que NÃO
prometem deixar ninguém rico. A ideia principal destas obras é justamente levar
o leitor a entender como a roda do dinheiro funciona mostrando ideias chaves.
Inicialmente eles mostram que quem quer alcançar riqueza deve estudar
incessantemente o assunto. O aprendizado e a constante atualização são as chaves
do sucesso no mundo das finanças. Em seguida eles dão sugestões de como colocar
em prática ideias simples como guardar parte da renda de maneira quase sagrada.
E por último, estimulam a tornar certas atitudes de acúmulo de riqueza em
hábitos cotidianos como poupar e investir.
Fica
aqui a dica de 4 obras que podem ajudar sobremaneira a tomar a traçar
estratégias e tomar atitudes para alcançar a independência financeira.
DESPERTE
O MILIONÁRIO QUE HÁ EM VOCÊ (Carlos Wizard Martins)
É
um bom livro de entrada no assunto de finanças pessoais. O autor passa uma
série de experiências pessoais de como fazer a mente trabalhar de uma maneira a
ganhar dinheiro mesmo nos momentos de crise econômica. Em certos pontos do
livro ele aborda técnicas de poupança e de valorização pessoal que podem ajudar
bastante no crescimento pessoal.
PAI RICO, PAI POBRE (Robert
Kiyosaki e Sharon L. Lechter)
Esta obra já trata do assunto de maneira mais elaborada, mas
com uma linguagem acessível e instigante. Os autores tratam de mostrar ao
leitor como sair do que eles chamam de “corrida de ratos” e buscar ver o mundo das finanças por uma
ótica diferente da maioria. Este livro é particularmente válido por
desmistificar certos aspectos de investimentos que aprendemos desde crianças
como o de que devemos comprar um imóvel o quanto antes. Mas o ponto mais
importante do livro é a relevância dada pelos autores ao conhecimento. Durante
toda a obra eles mostram como aprender sobre finanças é realmente a “alma do
negócio”.
O HOMEM MAIS RICO
DA BABILÔNIA (George Samuel Clason)
Leitura obrigatória para quem quer ter dinheiro um dia! A
fórmula do livro é relativamente simples: a cada salário, invista (guarde,
poupe, acumule) 10%. Parece fácil (e é), mas todo mundo complica. Seja porque
quer guardar estes 10% na poupança e vê a inflação derreter o dinheiro, seja
porque a tentação é grande demais para manter as “10 moedas de prata” na
carteira, a fórmula do livro é simples, mas nós somos capazes de torná-la quase
impossível. Mas vale muito a pena ler este livro em conjunto com o anterior.
O PODER DO HÁBITO
(Charles Duhigg)
O livro não é sobre finanças, mas pode ser aplicado para tudo
na vida. E criar o hábito de poupar e investir vai ser útil na sua caminhada
rumo à riqueza. O livro mostra como funciona o processo de criação do hábito e
como fazer para mudar hábitos ruins transformando-os em hábitos mais saudáveis.
Vale muito a pena a leitura ao final dos anteriores para dar aquela ajuda na
arte de poupar e investir.
Sim, existem diversas outras obras muito interessantes que
não foram abordadas aqui. Cada um pode acabar se identificando mais com uma do
que com outra. Mas a ideia principal é sempre a mesma: Não pare de estudar o
assunto. Sempre que recomendarem um novo livro, busque ler comentários,
resenhas e a obra em si. Para identificar se o livro é de fato útil ou se não
passa de um monte de baboseiras de um charlatão que quer ficar rico em cima de
você, basta identificar como o autor escreve. Se for recheado de termos
estrangeiros, uma necessidade quase que absurda de demonstrar um conhecimento
em outra língua, quase 100% de chance de ser perda de tempo. Claro, livros
técnicos como os que descrevem certos investimentos, fatalmente trarão diversos
termos em idiomas variados. Mas se for uma obra com muitas experiências
pessoais, estudos acadêmicos completados por casos práticos, sinal que vale a
pena ganhar um tempo dando uma lida.
O mais importante é ser contagiado o quanto antes pelo Vírus
da Riqueza. Há que se entender que não se vai muito longe guardando o que sobra
do final do mês (porque geralmente não sobra se você não guardar antes), nem
colocando mesadinha na poupança. Muito menos fazendo fezinha na loteria ou investindo
em Pirâmide. Quando você entender o que move o dinheiro, você aprenderá a fazer
a sua própria sorte.
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