Enquanto os eleitores
brasileiros se digladiam numa luta sem fim, desde a redemocratização, entre os polos
representados pelo PT e PSDB, erroneamente considerados como representantes dos
opostos direita x esquerda, um partido se mantém em sua silente liderança,
tanto de números quanto de presença no legislativo. O PMDB.
Partido do atual
presidente da república, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro, nunca
elegeu um presidente direto pertencente à sua legenda. Mas ele é dono dos
principais cargos políticos do Brasil. Infelizmente, para o brasileiro médio, o
principal cargo político existente é o de Presidente da República. Isso não é
de todo uma verdade. O PMDB controla o legislativo brasileiro há muitos anos.
Na presidência da câmara dos deputados, o partido está no comando desde 2009,
com uma rápida interrupção em 2011-12 com a eleição de Marco Maia (PT) ao
cargo. No senado, a hegemonia do partido permanece desde 2001, com a morte de
Antônio Carlos Magalhães.
Mas por que o PMDB não
entra nos debates dos eleitores? Em primeiro lugar é preciso entender que o
brasileiro desconhece sua história. Se a conhecesse, saberia que o partido é
oriundo do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido existente durante a
ditadura militar, oposicionista ao partido de situação, o ARENA. Neste período,
o partido abrigou diversos revolucionários que foram componentes, inclusive, de
movimentos revolucionários armados. Mas como uma ditadura admite a existência
de um partido de oposição? (Fica aqui a reflexão)
Em segundo lugar,
temos que voltar na questão de que o brasileiro não entende lá muito de
política. Segundo a mentalidade do nosso povo, o Presidente é um soberano que
pode tudo e a quem todos se submetem. A visão do nosso chefe do executivo no
seio popular é quase de um Czar. Nesta lógica, dificilmente um partido que se
perpetua no legislativo, mas que foge das aparições nas concorrências pelo
executivo nacional, entrará nas pautas dos debates das pequenas rodas de
discussões.
Esse é o cenário
perfeito para que o partido se perpetue no núcleo decisório do país. Ele pode
trocar facilmente de lado durante um mesmo governo, sendo num momento aliado, em
outro oposição, sem que ninguém questione o fato. Em muitas ocasiões, o partido
conseguiu exercer os dois papéis ao mesmo tempo. Assim foi durante o processo
de impeachment do governo Dilma, quando Michel Temer, grande articulador
político do então governo, defendeu com unhas e dentes a manutenção do PT no
poder, mas quando o processo atingiu seus capítulos finais, decidiu articular
para sua saída.
O fato é que enquanto
os brasileiros se agridem, se ofendem e se dilaceram em defesa dos polos PT x PSDB,
o PMDB dorme tranquilo no berço esplêndido do comando nacional. Desde a
redemocratização, o PMDB elegeu dois vice-presidentes. E os dois assumiram a
presidência (Sarney em 1985; Temer em 2016). Mas certamente este é um fato que
passa totalmente despercebido aos olhos da grande massa.
Os intelectuais presentes nas universidades e
escolas brasileiras continuarão entrando com suas bandeiras vermelhas e
bradando que o PSDB quebrou o Brasil. Milhões de brasileiros continuarão indo
às ruas com suas camisas da CBF bradando fora PT. Mas neste teatro de
fantoches, quem sempre mexerá as guias, estará sempre invisível aos olhos
populares.
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