Nos últimos anos fomos
levados a contemplar a ascensão de um magistrado, que no exercício de suas
atribuições têm levado grandes figurões da política nacional a sentar nos
bancos dos réus e arcar com as consequências de suas atitudes. O problema disto
tudo é que o que deveria ser algo óbvio do exercício de uma função tornou-se um
ato de heroísmo. Mas como chegamos ao ponto de exaltar alguém que faz o que é
meramente um ato funcional?
Enquanto muitos
criticam e muitos defendem, deixamos de observar a lógica por trás de todo o
contexto social. O Brasil fracassou como nação. Isto não é uma opinião. É um
fato. No exato momento onde ser honesto virou exceção e fazer o básico virou
algo especial, o país assumiu que está tão mergulhado na lama da falta de ética
que declaramos heróis quem tem a coragem moral de enfrentar todo este sistema. Mas
não deveria ser assim.
Entre as dissidências
do que é certo e do que é errado, atitudes imorais deveriam ser condenadas sim
na nossa sociedade. Mas quando tratamos de um povo onde furar fila é cultural,
corromper, furtar e cometer estelionato são práticas corriqueiras, ser alguém
que não comete estas práticas se torna uma exceção.
Fica nossa desilusão.
Não de todo o povo brasileiro. Mas daqueles que não se vendem em troca de
votos, daqueles que respeitam filas e que não pegam o que não é seu. Fica a
reflexão entre àqueles onde dizer “por favor” e “obrigado” são práticas tão
simples que passam despercebidas e não se conformam quando dizem que não.
Fracassamos como nação
porque ser ético, cumprir as leis e não cometer ilícitos se tornou algo tão
extraordinário que faz daquele que o faz um herói. E faz com que o restante o
acuse e o deprecie. Infelizmente nos tornamos um povo onde fazer o certo se
tornou um pecado!
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