segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Quando a Honestidade se Torna uma Exceção

Nos últimos anos fomos levados a contemplar a ascensão de um magistrado, que no exercício de suas atribuições têm levado grandes figurões da política nacional a sentar nos bancos dos réus e arcar com as consequências de suas atitudes. O problema disto tudo é que o que deveria ser algo óbvio do exercício de uma função tornou-se um ato de heroísmo. Mas como chegamos ao ponto de exaltar alguém que faz o que é meramente um ato funcional?

Enquanto muitos criticam e muitos defendem, deixamos de observar a lógica por trás de todo o contexto social. O Brasil fracassou como nação. Isto não é uma opinião. É um fato. No exato momento onde ser honesto virou exceção e fazer o básico virou algo especial, o país assumiu que está tão mergulhado na lama da falta de ética que declaramos heróis quem tem a coragem moral de enfrentar todo este sistema. Mas não deveria ser assim.
Entre as dissidências do que é certo e do que é errado, atitudes imorais deveriam ser condenadas sim na nossa sociedade. Mas quando tratamos de um povo onde furar fila é cultural, corromper, furtar e cometer estelionato são práticas corriqueiras, ser alguém que não comete estas práticas se torna uma exceção.
Fica nossa desilusão. Não de todo o povo brasileiro. Mas daqueles que não se vendem em troca de votos, daqueles que respeitam filas e que não pegam o que não é seu. Fica a reflexão entre àqueles onde dizer “por favor” e “obrigado” são práticas tão simples que passam despercebidas e não se conformam quando dizem que não.

Fracassamos como nação porque ser ético, cumprir as leis e não cometer ilícitos se tornou algo tão extraordinário que faz daquele que o faz um herói. E faz com que o restante o acuse e o deprecie. Infelizmente nos tornamos um povo onde fazer o certo se tornou um pecado!

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