Em 19 de janeiro fomos
surpreendidos com a notícia da morte do Ministro do Supremo Tribunal Federal,
Teori Zavascki, relator do processo que apura crimes de desvio de dinheiro em
obras ligadas a Petrobras, que são investigados pela famosa Operação Lava-Jato.
Diante de tantas
especulações que surgem no meio das redes sociais, com notícias pouco
esclarecedoras trazidas pela grande mídia, é coerente o posicionamento das
autoridades responsáveis pela investigação do acidente aéreo dentro da
legalidade e sem considerar quaisquer hipóteses precipitadas capazes de
atrapalhar a investigação. Mas é compreensivo (ainda que precipitado) também o
grito da opinião pública ao tratar o acidente como um atentado, ainda que
poucas informações existam.
O que resta é o medo
incontrolável de que esta situação acabe com o prosseguimento da operação e que
os envolvidos fiquem impunes. Mas há quem entenda por uma ótica um pouco menos
negativa do ponto de vista político. Há aqueles que entendem que, considerando a
hipótese de atentado como a mais coerente, se isto aconteceu é porque o
processo está se aproximando da cabeça da serpente. Há os que insistem no argumento de que não houve
qualquer atentado e as investigações provarão isto.
O que é fato é que os
brasileiros estão perplexos e ansiosos para que esta morte não entre para uma
mórbida lista de tragédias não esclarecidas que englobam as mortes de Eduardo
Cunha e Celso Daniel, formando uma nefasta pilha de investigações
inconclusivas, onde a coincidência tornou-se uma aliada oportuna daqueles que
temem um desfecho jurídico de punibilidade aos diversos responsáveis pelos
desvios que a nação sofreu.
Mas o que de fato
assusta os brasileiros é o pessimismo que o momento nos causa. Além do óbvio
luto pelas famílias das vítimas, fica o sentimento de que a impunidade é um
fantasma presente, mais uma vez, no nosso país. Certamente outro ministro
assumirá o papel de relator do processo, mas fica o temor pelo “quem será”, uma
vez que a opinião pública se divide em relação à aprovação dos componentes da
Suprema Corte.
Resta ainda uma
observação ainda mais apocalíptica do momento atual. Ainda que de forma hipotética,
ainda que seja insensato especular no momento, caso a teoria de atentado seja
real, ainda que não seja provada nas investigações, havendo realmente uma
ligação entre as diversas mortes citadas e outras tantas que não foram aqui
descritas, ainda hipoteticamente, significa que já estamos sim numa ditadura
sangrenta, capaz de deixar um rastro de cadáveres incontável para apagar tudo o
que puder trazer à tona os mais diversos delitos. E nós estamos assistindo todo
este teatro de fantoches sórdido em nossas poltronas, vivendo nossa pseudo democracia, crentes de que somos capazes de mudar os rumos da história da
nação. Mas somos imaturos demais e nos tornamos os cegos do castelo ao não
enxergar que toda a trama já está escrita e todo o sistema já se encarregou em
alterar todas as variáveis que pudessem comprometer os próximos resultados
eleitorais.
Fica nossa esperança para
que tudo aconteça como deve acontecer. Que o acidente seja investigado a fundo,
que seja devidamente explicado, que o Supremo siga o rito de julgamento do
processo, que todos os culpados da Lava-Jato sejam punidos e que este trágico
fato não seja o molho de mais uma grande pizza que nenhum brasileiro quer
comer.
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