sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A Morte de Teori e a Pizza que Ninguém Quer Comer

Em 19 de janeiro fomos surpreendidos com a notícia da morte do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, relator do processo que apura crimes de desvio de dinheiro em obras ligadas a Petrobras, que são investigados pela famosa Operação Lava-Jato.
Diante de tantas especulações que surgem no meio das redes sociais, com notícias pouco esclarecedoras trazidas pela grande mídia, é coerente o posicionamento das autoridades responsáveis pela investigação do acidente aéreo dentro da legalidade e sem considerar quaisquer hipóteses precipitadas capazes de atrapalhar a investigação. Mas é compreensivo (ainda que precipitado) também o grito da opinião pública ao tratar o acidente como um atentado, ainda que poucas informações existam.

O que resta é o medo incontrolável de que esta situação acabe com o prosseguimento da operação e que os envolvidos fiquem impunes. Mas há quem entenda por uma ótica um pouco menos negativa do ponto de vista político. Há aqueles que entendem que, considerando a hipótese de atentado como a mais coerente, se isto aconteceu é porque o processo está se aproximando da cabeça da serpente.  Há os que insistem no argumento de que não houve qualquer atentado e as investigações provarão isto.
O que é fato é que os brasileiros estão perplexos e ansiosos para que esta morte não entre para uma mórbida lista de tragédias não esclarecidas que englobam as mortes de Eduardo Cunha e Celso Daniel, formando uma nefasta pilha de investigações inconclusivas, onde a coincidência tornou-se uma aliada oportuna daqueles que temem um desfecho jurídico de punibilidade aos diversos responsáveis pelos desvios que a nação sofreu.
Mas o que de fato assusta os brasileiros é o pessimismo que o momento nos causa. Além do óbvio luto pelas famílias das vítimas, fica o sentimento de que a impunidade é um fantasma presente, mais uma vez, no nosso país. Certamente outro ministro assumirá o papel de relator do processo, mas fica o temor pelo “quem será”, uma vez que a opinião pública se divide em relação à aprovação dos componentes da Suprema Corte.
Resta ainda uma observação ainda mais apocalíptica do momento atual. Ainda que de forma hipotética, ainda que seja insensato especular no momento, caso a teoria de atentado seja real, ainda que não seja provada nas investigações, havendo realmente uma ligação entre as diversas mortes citadas e outras tantas que não foram aqui descritas, ainda hipoteticamente, significa que já estamos sim numa ditadura sangrenta, capaz de deixar um rastro de cadáveres incontável para apagar tudo o que puder trazer à tona os mais diversos delitos. E nós estamos assistindo todo este teatro de fantoches sórdido em nossas poltronas, vivendo nossa pseudo democracia, crentes de que somos capazes de mudar os rumos da história da nação. Mas somos imaturos demais e nos tornamos os cegos do castelo ao não enxergar que toda a trama já está escrita e todo o sistema já se encarregou em alterar todas as variáveis que pudessem comprometer os próximos resultados eleitorais.

Fica nossa esperança para que tudo aconteça como deve acontecer. Que o acidente seja investigado a fundo, que seja devidamente explicado, que o Supremo siga o rito de julgamento do processo, que todos os culpados da Lava-Jato sejam punidos e que este trágico fato não seja o molho de mais uma grande pizza que nenhum brasileiro quer comer. 

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