Um dos assuntos mais
comentados neste início de 2017 é a Reforma Previdenciária brasileira. Uma
problemática que afeta diretamente o cidadão em relação a sua aposentadoria e
isto não poderia deixar de ser contestado pelo povo brasileiro. Mas uma das
coisas mais chama a atenção não é a contrariedade direta em relação à reforma.
Mas sim a forma como ela mobilizou parte da opinião pública que se manteve
quieta quando a mesma reforma começou a ser especulada e projetada nos governos
Lula e Dilma.
Esse lapso temporal
entre as primeiras especulações e a reação desta parcela da opinião pública
mostra que o brasileiro hoje é um povo dividido, não apenas politicamente, mas
em relação a diversas áreas de importância para o país. Entenda, é normal e
coerente que cada um manifeste sua visão política no momento em que achar
necessário. Mas há uma contradição perigosa quando esta distinção de opiniões
chega a questões como a previdência.
De uma forma mais
clara. O brasileiro hoje não se preocupa tanto com a reforma, mas por quem ela
está sendo conduzida. É como dizer que a corrupção é válida somente para um
lado, ou que a inflação só é questionada quando determinado partido está no
poder. Mas é exatamente isto que está acontecendo na realidade.
Não sou a favor da
reforma e não vou me manifestar em relação a ela. Mas o que fica explicito
neste atual momento é como o país está seriamente dividido. O brasileiro se
tornou um povo de fácil dominação. Os interesses nacionais estão deixados de
lado. (vide post O Brasil deixado de lado).
Já não interessa (tanto) que a reforma previdenciária coloque em risco a
possibilidade de aposentadoria do brasileiro, já não interessa que a atual
formatação política brasileira esteja defasada, já não importa que o modelo
judiciário atual seja questionável, não importa que o sistema penal precise de
reformas urgentes. Nada disto importa para o brasileiro. O importante (ou o
mais importante) é quem conduz estas reformas.
O brasileiro parou de
se perguntar “o que”, “como”, “por que” e “quando”. Hoje somente interessa ao
povo o “quem” e o “para quem”. E esta despreocupação com os rumos nacionais em
sua essência tem conduzido o país a uma apartheid moral, o que se reflete de
forma clara na política.
Não se elege mais o
candidato que tem melhores projetos para o país. Não se elege mais o candidato
que tem uma postura ética e honesta. O que importa hoje ao povo brasileiro é o “para
quem” o candidato vai trabalhar. Interesses de quais grupos ele irá favorecer.
Estamos sendo compelidos a raciocinar por castas e não mais como país. Hoje o
brasileiro não se denomina mais “brasileiro”. Ele se auto intitula homoafetivo,
heterossexual, de tal etnia, de tal gênero, de tal religião, de tal profissão,
de tal time de futebol, de tal e tal coisa, menos brasileiro.
Não raciocinamos mais com
o “bem comum”. O brasileiro está sendo conduzido a uma guerra ideológica com
seus compatriotas. E se você tentar pensar no bem comum e tentar se candidatar
em prol de todo o país de forma única, você será taxado de um “fóbico”
qualquer. O brasileiro hoje quer leis específicas que garantam “direitos” a
cada grupo. O princípio de igualdade perante a lei está acabando. O Brasil está
caminhando para uma situação de onde um grupo possui mais direitos do que o
outro. E ai de quem pensar diverso disso.
Com essa divisão, com
esta batalha ideológica, estamos nos tornando presas fáceis. O impeachment da
presidente em 2016 foi reflexo disto. O povo não se uniu contra a corrupção.
Formaram-se dois grandes blocos dos “contra” e dos “prós” governo. Se o
brasileiro tivesse o senso de unidade, tivesse o patriotismo em suas veias, se
o povo fosse unido para as ruas contra a corrupção sistemática e apartidária
(ou multipartidária, como seria melhor chamar) hoje não teríamos o atual
presidente do país, do senado e da câmara. Mas o brasileiro é incapaz de
entender isto. Ele está preocupado com a manutenção do partido que ele gosta.
Ele trata a política como um jogo de futebol, onde não interessa se o gol foi
de mão, desde que seu time ganhe.
O país caminha a
passos largos para o abismo. Mas a maior preocupação é se os direitos de tais e
tais grupos serão preservados. A resposta é que se o navio afundar de vez, não
haverá direito a ser preservado, pois não haverá sequer país. Ou o brasileiro
muda esta forma de pensar de forma urgentíssima, ou o país entrará em colapso
em breve.
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