Por Elizabeth Lucchesi
Foucault enfatizava que SABER É PODER!
Foucault enfatizava que SABER É PODER!
Na Academia,
construímos, trocamos e apreendemos saberes que nos habilitam para o exercício
da Pedagogia. E que poder eles nos conferem? Certamente não se trata do poder
da autoridade, que subjuga, que oprime, mas o poder da autonomia; o poder de
dialogar, de reivindicar, de se posicionar, de agir e interagir na sociedade,
de empreender mudanças diante daquilo que nos aflige, que nos incomoda e nos prejudica.
O poder da cidadania.
Temos diante de nós
dois desafios preponderantes, que na realidade são intrínsecos. Primeiro, o
desafio de ratificar e consolidar a importância e a relevância da Pedagogia,
uma ciência nobre, que busca no processo educativo contemplar a totalidade da
natureza humana, em sua dimensão histórica, cultural, existencial, psíquica e
social. Paralelamente, consolidar a importância do Pedagogo enquanto
profissional cuja responsabilidade e atuação vão além do campo da docência.
Hoje vivemos em uma
sociedade genuinamente Pedagógica, com a ampliação dos conceitos de educação e
a diversificação das atividades educativas. Na chamada era do conhecimento,
percebemos a prática pedagógica nos mais variados espaços educativos: nas
empresas, na mídia, nos hospitais, nas academias, nos centros culturais, nas
ongs, nas associações. Daí a importância incontestável do pedagogo. Aliás, é
preciso romper com esses paradigmas que fazem apologia à supremacia das
profissões ditas tradicionais, relegando as outras ao status de simplórias.
Nessa era da tecnologia, vemos despontar profissões cada vez mais singulares e
específicas para atender as necessidades de um mercado cada vez mais exigente.
Toda profissão exercida com ética e responsabilidade é importante e necessária
para o pleno funcionamento e desenvolvimento das sociedades. Concomitantemente,
nosso outro desafio é para com a educação, de fato.
Mas, que educação e
que sociedade é essa? Uma sociedade caracterizada pela diversidade, pela
superfluidade e pelo consumismo, onde as instituições como a família e a escola
tiveram seus modelos reconfigurados e a cada dia assumimos novos papéis
sociais, que nos exigem uma estrutura e formação sólida. Uma sociedade marcada
pela violência em todas as suas manifestações, permeada pela desigualdade, pela
discriminação e pelo preconceito. Onde as informações circulam em velocidade
assustadora, oriundas das mais diversas fontes.
Marx enfatizava que a
educação tanto pode alienar quanto emancipar. Nesse contexto, nos questionamos
como educar, para que educar e a quem educar?
Uma nação de fato democrática é aquela cujo povo é educado e politizado.
Democracia não combina
com alienação. Um povo mal educado vive mal e vota mal. E creio que é correto
concluir que a violência, o preconceito e a miséria são formas de
alienação. É fato que a educação não é a
solução para todas as mazelas sociais, mas certamente é um caminho seguro e
indiscutível para o desenvolvimento e para a autonomia de um povo. A educação
fortalece a identidade desse povo.
É evidente que o
modelo que ai está esgotou-se. É preciso uma educação que invista na formação
integral do indivíduo, inspirada nos ideais da Paidéia de Sócrates e Platão,
alicerçada na ética e na moral. Uma educação que priorize e fomente os valores
universais e essenciais da natureza humana: o amor, a honestidade, a lealdade,
a alteridade, a ética, o respeito, a tolerância, a solidariedade. Uma educação
voltada para a formação de cidadãos críticos, autônomos e solidários. Acredito
que assim possamos construir uma sociedade mais justa e igualitária.
Elizabeth Lucchesi
Pedagoga, Escritora e Poetisa.
Autora do blog Palavras Singulares
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