O cenário político do país anda cada vez
mais instável. Isso acaba trazendo este assunto para as rodas de conversas
informais entre amigos, seja de trabalho, faculdade, futebol de fim de semana,
cervejinha no bar e etc. Todo lugar se tornou propício para debater sobre o
futuro da nação. As conversas são sempre recheadas de clichês e reprodução de
frases de efeitos, mas vez por outra surgem questões interessantes que não
podem ser deixadas de lado.
Em 1994, o compositor baiano Carlinhos
Brown lançava um hit de carnaval que acabou sendo entoado, inclusive, em
propagandas do Ministério da Saúde. A música se chama “Camisinha”. A ideia do
autor e das autoridades era estimular o uso do preservativo masculino como
método contraceptivo e como prevenção contra doenças sexualmente
transmissíveis, sendo a AIDS a mais importante.
Naquela época, diversas propagandas
sobre sexo seguro e o estímulo da camisinha eram transmitidas na televisão em
todos os horários. Não eram propagandas ofensivas, mas muitas pessoas questionavam
se aquele tipo de propaganda estaria ou não estimulando a prática sexual entre
indivíduos cada vez mais jovens.
Aliadas a essas propagandas, diversos
programas de planejamento familiar eram divulgados em outdoors pelas cidades,
estimulando as famílias a praticarem o sexo seguro e procurarem assistentes
sociais para fazer o seu planejamento familiar.
Por que este assunto surgiu de uma
conversa sobre política? O fato é simples. Os últimos governos nacionais se
elegeram através de programas assistenciais destinados as classes mais baixas
da população. Eles “patentearam” estes programas e produziram tantas
propagandas sobre a “distribuição de renda” que com a ameaça a perda do poder,
fez com que eles difundissem a ideia de que era uma revolução dos mais
abastados para cortar estes programas. O problema é que a classe menos
favorecida comprou esta ideia e daí então foi implantada uma luta de classes
econômicas dentro do nosso país.
Foi neste cenário que surgiu a dúvida:
se tantos saíram da miséria, como que ainda vemos tantos miseráveis habitando
as ruas das nossas cidades, nos campos, nos lugares mais afastados, em suma,
por todo o país. Foi nessa que aconteceu o insight. Há muito tempo que não se
vê outdoors de planejamento familiar pelas ruas da cidade.
De certa forma, o planejamento familiar
foi deixado de lado por estes governos. Propagandas de preservativos são
somente de caráter privado, por ação de marketing das empresas fabricantes. O
Ministério da Saúde simplesmente abandonou a ampla divulgação de controle
contra a AIDS.
O que acontece é que a miséria dá muitos
votos. É só dar migalhas aos menos favorecidos e eles certamente lhe darão o
voto deles. E porque acabar com quem te elege? Sim, vamos “tirar milhões” da
miséria, mas outros milhões permanecerão lá para poder lhes eleger. A equação é
simples: acaba-se com todo e qualquer estímulo ao planejamento familiar, a
população mais carente têm uma explosão demográfica, tira-se parte desta da
miséria, mas haverá muitos outros “novos miseráveis” em seus lugares. Em suma,
a melhor forma de acabar com esse descaso político é estimular o uso da
camisinha.
Sem palavras para contradizer esse texto! Disse tudo e com criatividade imensa. E não que estás certo?
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