quarta-feira, 8 de junho de 2016

USE CAMISINHA

O cenário político do país anda cada vez mais instável. Isso acaba trazendo este assunto para as rodas de conversas informais entre amigos, seja de trabalho, faculdade, futebol de fim de semana, cervejinha no bar e etc. Todo lugar se tornou propício para debater sobre o futuro da nação. As conversas são sempre recheadas de clichês e reprodução de frases de efeitos, mas vez por outra surgem questões interessantes que não podem ser deixadas de lado.

Em 1994, o compositor baiano Carlinhos Brown lançava um hit de carnaval que acabou sendo entoado, inclusive, em propagandas do Ministério da Saúde. A música se chama “Camisinha”. A ideia do autor e das autoridades era estimular o uso do preservativo masculino como método contraceptivo e como prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis, sendo a AIDS a mais importante.

Naquela época, diversas propagandas sobre sexo seguro e o estímulo da camisinha eram transmitidas na televisão em todos os horários. Não eram propagandas ofensivas, mas muitas pessoas questionavam se aquele tipo de propaganda estaria ou não estimulando a prática sexual entre indivíduos cada vez mais jovens.

Aliadas a essas propagandas, diversos programas de planejamento familiar eram divulgados em outdoors pelas cidades, estimulando as famílias a praticarem o sexo seguro e procurarem assistentes sociais para fazer o seu planejamento familiar.

Por que este assunto surgiu de uma conversa sobre política? O fato é simples. Os últimos governos nacionais se elegeram através de programas assistenciais destinados as classes mais baixas da população. Eles “patentearam” estes programas e produziram tantas propagandas sobre a “distribuição de renda” que com a ameaça a perda do poder, fez com que eles difundissem a ideia de que era uma revolução dos mais abastados para cortar estes programas. O problema é que a classe menos favorecida comprou esta ideia e daí então foi implantada uma luta de classes econômicas dentro do nosso país.

Foi neste cenário que surgiu a dúvida: se tantos saíram da miséria, como que ainda vemos tantos miseráveis habitando as ruas das nossas cidades, nos campos, nos lugares mais afastados, em suma, por todo o país. Foi nessa que aconteceu o insight. Há muito tempo que não se vê outdoors de planejamento familiar pelas ruas da cidade.

De certa forma, o planejamento familiar foi deixado de lado por estes governos. Propagandas de preservativos são somente de caráter privado, por ação de marketing das empresas fabricantes. O Ministério da Saúde simplesmente abandonou a ampla divulgação de controle contra a AIDS.


O que acontece é que a miséria dá muitos votos. É só dar migalhas aos menos favorecidos e eles certamente lhe darão o voto deles. E porque acabar com quem te elege? Sim, vamos “tirar milhões” da miséria, mas outros milhões permanecerão lá para poder lhes eleger. A equação é simples: acaba-se com todo e qualquer estímulo ao planejamento familiar, a população mais carente têm uma explosão demográfica, tira-se parte desta da miséria, mas haverá muitos outros “novos miseráveis” em seus lugares. Em suma, a melhor forma de acabar com esse descaso político é estimular o uso da camisinha. 

Um comentário:

  1. Sem palavras para contradizer esse texto! Disse tudo e com criatividade imensa. E não que estás certo?

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