Final de ano chegou e
o de sempre começa a acontecer: as pessoas passaram 329 dias reclamando da
crise, mas no 1º de dezembro o comércio já estava abarrotado de pessoas
comprando irracionalmente todo o tipo de produtos. Presentes, produtos para a
ceia, roupas, mala de viagem, pacotes de viagens e tudo mais que estiver à
venda e for peculiar à época do ano.
O consumismo é forte e
desenfreado em nossa sociedade. Isto é inegável. Mas o mais engraçado de tudo é
a forma como estimulamos este consumismo desde cedo. Quem tem criança em casa
sabe que esta é uma época de muita alegria para pais, mães, avós, tios, primos...
você resolve passear no centro da cidade ou num shopping qualquer com uma
criança do lado. Você então cai na besteira de entrar na loja, acompanhado do
pequeno ou da pequena. Nesse momento você descobre que não há limites para a
imaginação da indústria de brinquedos no seu conteúdo apelativo.
Pense numa princesa da Disney que esteja na moda, ou qualquer personagem infantil que esteja no gosto das crianças no momento. Você certamente perceberá que existe tudo, eu disse TUDO, com a foto do tal personagem, desde a clássica boneca até assento sanitário! Mochila escolar, bola, pinos de boliche, tudo tem a bendita princesa com seu sorriso glacial! E o legal é que por ter a tal princesa, o preço será o triplo do que deveria custar. Ainda mais nesta época. Virou o mês, pode acrescentar um dígito ao valor.
Você, ainda dentro da
loja, deixa o pequeno solto para dar aquele passeio por entre as prateleiras,
quando, de repente, ele volta com um brinquedo na mão. Você percebe de imediato
que todas as crianças têm o famoso toque de Midas. A criança tocou no brinquedo,
pode apostar que vem algo de 3 dígitos para cima. Daí começa a disputa para tentar
explicar a criança que a Mega Sena da virada é somente dia 31 de dezembro e que
você não acredita porque provavelmente ela é fraudada.
Depois de uma batalha
árdua, você consegue jogar o brinquedo em qualquer canto e pegar a criança no
chão chorando e batendo as mãos e os pés repetindo o clássico de natal “Eu
quero”.
Comovido, você resolve
procurar um camelô. Incentivar o contrabando e a fraude fiscal não é sua praia,
mas entre pagar metade do seu 13º num boneco, você se torna flexível o
suficiente para dar uma “olhadinha”. Mas aí você descobre que a mesma princesa
da loja, que custava 3 dígitos, está por 2 dígitos, mas a musiquinha chiclete,
essa mesma, Let...., está em 3 línguas diferentes e nenhuma delas é Inglês ou
Português! Em uma das versões você começa a acreditar que existe Na´vi e começa
a achar que a princesa deveria ser azul com rabo (ficaria até mais
interessante).
Desiludido, você dá
aquela enrolada básica no baby e corre para o mercado pra aproveitar as “ofertas
imperdíveis” da ceia de natal. Você começa a descobrir que os Perus saíram da
extinção, muito provavelmente graças à técnica do DNA em Âmbar, e que o preço é
digno da produção de Jurassic Park. Como a Mega da vira ainda não chegou (seus
planos dependem dela, eu sei), você começa a recorrer ao frango bombado com
tórax do Schwarzenegger que ninguém nunca viu vivo, na esperança de que ele
seja mais “em conta”. Você então percebe que este mais “em conta” vai ter que
ser parcelado em 12 vezes sem juros no cartão. Mas você ainda assim persiste
nas compras.
Aquele pão cheio de
frutinhas cristalizadas está quase o mesmo preço de um carro zero. Aquele
cereal vindo de não sei onde que só brota na época de natal, também é quase uma
casa nova no melhor condomínio da cidade e o espumante que você gosta e que
você vai gritar pra todo mundo na ceia dizendo que é champgne (não faça isso,
pelo amor de Deus) é quase o valor de uma viagem ao redor do mundo. Mas
disseram pra você levar uma “coisinha” e esta coação velada vai fazer você
parcelar no boleto as compras sem nem pensar.
Com as sacolas cheias
de comida que vão sobrar e estragar na geladeira, indo parar no lixo no dia 28
(dia 31 tem mais, não esqueçam), você resolve olhar uma roupinha legal para
passar o ano, porque a vidente da esquina da casa do vizinho do primo do colega
do irmão de leite do seu tio, disse que a cor da virada pra você desencalhar e
ter dinheiro é fúcsia. Você procura a tal cor, acha e compra aquele pedaço de
pano cheio de rasgo, que mal cobre totalmente a região glútea (mas tá na moda),
pela bagatela de três dígitos divididos em mais 48 vezes no cartão sem juros
(olha como a loja é boazinha).
Comemora-se o
solstício de inverno (Jesus não nasceu 25 de dezembro), trocam-se os presentes,
comemora-se um novo número no calendário, você acredita que ele vai ser regido
por um outro ser supremo, você pula as ondinhas, suja a pinoia do pedaço de
pano todo com a gordura da ave bombada, acorda com uma puta ressaca no dia
mundial da paz, fica desesperado porque sua fatura do cartão vai ser maior do
que o seu salário e começa o ano cheio de dívidas. Merda de 2017! Merda de país
que só vive em crise! Merda de governo! #forafulano #foraciclano #forabeltrano.
É por causa de vocês que eu não tenho dinheiro!
Eis o preço que uma sociedade alienada paga...a mídia determina o compasso de tudo, a moda e o ritmo do consumo. Entra ano e sai ano e a coisa só piora, sem nenhuma perspectiva positiva. Show!
ResponderExcluirExatamente, Elizabeth. Uma sociedade que se deixa levar facilmente pelos padrões impostos pela midia. Infelizmente, como você disse, sem perspectivas de melhoras.
ExcluirObrigado pela visita.