Depois de quase 3 anos
de intensas discussões sobre política em todos os círculos, com palpites e
opiniões das mais variadas possíveis, enfim o Impeachment chegou. A presidente
caiu, assumindo então o Vice-presidente, o ex-presidente da Câmara dos
Deputados foi cassado, e com estes eventos, os efusivos debates acerca do
futuro político da nação deram uma esfriada.
Não que eu seja contra
estes dois eventos, nem à favor. A grande questão é que estes dois foram
extirpados do cenário político atual do país como símbolos de uma corrupção
sistemática que assola todos os poderes e em diversas esferas. Mas é utópico
achar que a queda destes ícones irá acabar com a corrupção da nação.
A verdade é que o
Brasil não passa somente por uma crise política e econômica. A crise mais complexa
e de difícil resolução é a crise moral que nos assola desde os tempos da
colonização. Vivemos num país que se orgulha por fazer as coisas fora dos
padrões aceitáveis. Exportamos para o mundo o “jeitinho brasileiro”, o nosso
excesso de flexibilidade, nossas excessivas exceções que estão sempre à frente
das regras, e achamos isso legal.
Furamos fila na
loteria, nos bancos, na Disney, no cinema, no mercado, mas achamos que o
problema é o Deputado. Afanamos objetos de bares e restaurantes do mundo
inteiro para colocarmos na nossa estante como troféu, mas a corrupção existe
por determinado partido. Fraudamos impostos, fraudamos internet, fraudamos
filmes, fraudamos de tudo, mas a culpa é sempre dos políticos. Colamos em
provas, vestibulares, concursos públicos, processos seletivos dos mais variados
tipos, mas achamos que a culpa é do senador. Nossos filhos desrespeitam os
professores, os agridem, agridem os colegas, cometem delitos reincidentemente,
mas quando eles são presos ou mortos em confronto com as forças de segurança,
corremos para a frente dos repórteres bradando por uma justiça que não fomos
capazes de ensinar em casa.
Não acreditem na
utopia de que a corrupção pertence a uma ideologia de esquerda, centro,
direita. Não acreditem que determinado partido é corrupto e sem ele estaremos
livres da corrupção. A corrupção se combate com o voto. Se combate indo às ruas
apoiar as investigações contra todos os políticos. Homens públicos pagos
com nosso dinheiro devem sim prestar contas de como gastam nossos impostos. Mas
a verdadeira corrupção se combate no foro íntimo. Combate-se com as atitudes
corretas. Combate-se com educação. Mas não a educação de sala de aula apenas. Combate-se
com a educação doméstica. Ao ensinarmos nosso filho a respeitar os professores
e aos colegas. Ao ensinar nossos filhos que roubar, estuprar e matar é errado.
Não nos tornarmos cúmplices em nome de um amor materno e paterno.
Conversando com alguns
amigos que já viajaram para o exterior, eles foram categóricos ao afirmar que “é
fácil reconhecer um brasileiro em outro país. Ou está fazendo merda ou está
gritando no meio da rua”. Tornamos-nos um país onde “sair da linha” é virtude e
respeitar as regras é ser babaca. Vendemos ao mundo nossa incompetência
apelidada de “gambiarra” e achamos isso lindo por uma tocha que representa o
sol. “Grandes soluções com baixo custo e muita criatividade”. Seria lindo se
sua representação prática não fossem desvios e mais desvios em todos os setores
públicos e privados. A verdade é que como país, nós somos uma verdadeira
gambiarra.