Poderia começar
este post com a afirmação “O povo de Deus é perseguido”. Mas se o fizesse, este
tomaria uma conotação religiosa que não cabe no momento. Há algum tempo, está
circulando pelas redes sociais uma postagem de uma “Selfie sexual” de uma
mulher que, supostamente, seria frequentadora de uma igreja cristã protestante
com o seu também suposto pastor. O comentário mais utilizado nas postagens é
“Crente do rabo quente”! No momento que li a “matéria” e os comentários, fui
levado a refletir sobre o suposto fato.
Não é mistério para
ninguém que vivemos num mundo altamente conectado. Muito menos é segredo que
vivemos numa era em que as relações íntimas por vezes ultrapassam as quatro
paredes. A pergunta é: isto é problema de quem? O casal não tem o direito de
decidir o que fazer em sua intimidade? E quando digo casal, leia-se, casal
heterossexual e homossexual. Vez por outra, aventuras deste tipo acabam dando
errado e o casal tem a sua privacidade violada fazendo com que todos passem a
ter conhecimento dos atos praticados na intimidade. Já estamos “acostumados”
com isso. Tornou-se, de certa forma, corriqueira esta situação. Não precisamos
de uma busca refinada nos sites de pesquisa para conseguir achar imagens,
vídeos, áudios e seja lá o que mais.
Porém, o fato foi
divulgado, comentado e refletido pelo simples e exclusivo fato de se tratar de
uma pessoa que, supostamente (que fique claro), professa determinada fé. Como
se o fato desta desnecessária divulgação já não fosse bizarro por si só, temos
ainda a questão da generalização. Os comentários são feitos de forma a “dar a
entender” que todos os que professam aquela fé também praticassem tais atos.
Isto é, no mínimo, grotesco. Generalizar milhares, milhões, de pessoas pelo ato
de uma única pessoa? Não cabe a nós dizer se o ato foi certo ou errado. Como
falei do parágrafo anterior, esta se tornou uma prática comum (certa ou
errada?) entre casais.
Mas cabe a seguinte
reflexão: por que o fato de uma pessoa desta dita fé causa tanto furor quando
pratica tal ato? Não, não saio em sua defesa. Não é da minha conta o que foi
feito. Mas sou contra esta humilhação, esta publicação, esta contribuição para
a violação da intimidade do casal. Não é da minha conta o que eles fazem entre
4 paredes. Não é da minha conta a história de cada um. Mas por que a fé que ela
professa importa tanto, neste caso? Por que a divulgação da imagem vem
acompanhada do fato de ela ser frequentadora desta ou daquela igreja? Será que
se tenta, implicitamente, afirmar que ninguém que professa outra fé pratica os
mesmos atos? Será que tentamos mostrar o óbvio, que as pessoas que professam
esta e qualquer fé também são seres humanos que erram?
Mas o que de
verdade me causa certa inquietação é a frase “crente do rabo quente”. Desculpa,
mas isto não é intolerância religiosa? Ou a intolerância é uma palavra que só
existe na figura do líder religioso que diz que praticar isto ou aquilo é
errado? Será que não estamos nos transformando numa sociedade que a
intolerância só existe quando o outro fala aquilo que eu não quero ouvir? Ou
será que estamos contemplando o óbvio: somos uma sociedade hipócrita!
Que nossa sociedade é hipócrita, sem dúvidas!
ResponderExcluirDesconheço o fato narrado, mas concordo com o que foi escrito. independente de quem seja fulano e cicrano da foto.
É engraçado que "muitos casais fazem - senão todos - mas se for divulgado o casal é inferiorizado". Entao a única coisa errada é a divulgação?
Ainda tentando entender essa sociedade... Fico pensando se faço mesmo parte dela... :(
jovensmaesblog.blogspot.com