A
pessoa sai do trabalho, cansada, e percebe que precisa cumprir com seu
compromisso mensal no lugar mais agradável da Terra. SQN! Troca de roupa neste
clima agradável que tem feito nos últimos dias e parte rumo à felicidade de
fazer compras. Sai com sua listinha mental ou no papel, acreditando que é o
maior economista do século XXI e lembrando-se das dicas do carinha do
fantástico que manda pegar tudo do mais barato.
Chegando
no supermercado, tenta achar um carrinho que preste e, é óbvio, que isso não
existe. Vai aquele capenga que fica travando a roda mesmo! De preferência
aquele que puxa para o lado que é pra você se divertir tentando evitar que ele
quebre diversos frascos das gôndolas por acidente.
Sobe
a esteira rolante, caso haja, e fica tentando prender a porra do carrinho pra
ele não ficar descendo enquanto você confere se pegou carteira, celular,
caneta, a listinha que ficou no carro e qualquer coisa inútil que alguém tenha
recomendado você a levar na próxima vez que fosse ao mercado. Nessa hora você
adentra ao mercado, literalmente, e começa a verdadeira alegria.
Um
cartaz de 50x50 já manda a boa notícia: SUPER OFERTA! LEITE A R$ 3,00! No
impedimento de xingar a mãe do camarada, que escreveu que leite à R$ 3,00 é
oferta, pessoalmente, você se contenta a dizer o nome do ser superior no qual
acredita e seguir em frente rumo às próximas “boas notícias”. Daí a pessoa
chega na primeira prateleira e começa a xingar mentalmente o pai e a mãe por
não ter deixado ele a virar jogador de futebol ou modelo. Nessa hora você
lembra que é feio e joga a mal e volta à realidade e curte a epifania de
descobrir que é pobre.
Daí
o ser percorre todo o supermercado ainda com a dica do “gente boa” do
fantástico dizendo que você tem que pegar tudo do mais barato e percebe que
tudo do mais barato é uma merda. E está caro do mesmo jeito! Quase surtando,
você começa a encher seu carrinho na esperança de que a matemática seja uma
ciência inexata ou que você tenha reprovado feio no ensino fundamental por não saber
somar. Com 5 itens você começa a pensar em fazer um empréstimo consignado. Com
10 você começa a querer vender seu carro, se é que tem. Com 15 itens você entra
no Google tentando achar o valor de um rim no mercado negro. Quando chega ao
final da lista, você já está conformado de que o resto do mês vai ter que ficar
em casa jogando paciência a luz de velas e sem tomar banho pra economizar na
água.
Tudo
isso sem contar que aquele aluno de direito que não sabe o que fazer de tema de
monografia pra conclusão de curso, basta ir ao supermercado que vai encontrar
vários temas na área do CDC! Esquece etiqueta afixada no produto! Esquece
aquela a etiqueta de preço da prateleira. Ela sempre vai estar uns dez passos
longe do produto que você está pegando, que já é caro, mas você não se dá conta
de que é o valor do outro e que o que você está levando é mais caro ainda!
Daí
você cai na asneira de querer comprar carne e descobre que no Brasil tem
dinossauro, porque picanha de 1kg e 600g só pode ser de brontossauro! Mas é
óbvio que você não leva picanha porque você descobriu na pesquisa do Google que
vender órgãos é crime e que você tem histórico de doença renal na família e vai
precisar dele. Daí a pessoa se contenta com aquele acém a preço de filé mignon
com mais gordura do que aquela sua tia que só come fast food. Mas tudo bem,
melhor morrer do coração do que de fome.
Por
fim você se dirige para a melhor parte. Já às lágrimas, soluçando de tanto
chorar, você chega à região dos caixas e descobre que dos 20 previstos, tem 5
abertos. Lógico que todos os caixas foram jantar no horário de pico! Alooouu,
isso aqui ainda é Brasil, esqueceu?
Daí
você entra na fila do caixa que está com a menor fila, ou seja, tem só uns 5 ou
6 carrinhos lotados na sua frente e num deles tem aquele cidadão que resolveu
levar toda a família para dar um passeio. O cara não sabe se coloca as coisas
na esteira do caixa ou se da bronca no menino que está brincando com os
brinquedinhos das balinhas que ficam perto do caixa, que são uma bosta, mas que
custam R$ 20,00 e é lógico que o menino quer porque quando aperta o botão
aparece uma luzinha que projeta um desenho bizarro na parede. Depois de uns 20
minutos de guerra psicológica entre os dois, o pai compra o bendito brinquedo,
acaba o choro, e no restante do mês o pai vai ter que andar a pé para o
trabalho pra economizar no combustível ou na condução. Detalhe, o trabalho fica
na cidade vizinha.
Depois
de muitos posts no facebook, depois de consultar todo seu blog, depois de ligar
pra pai, mãe, tia, primos, namorado (a), fazer as contas na calculadora e
descobrir que você tirou dez em matemática no ensino fundamental e chorar por
isso, chega sua vez. Lógico que o caixa vai te entregar aquele saquinho fino
pra cacete que vai rasgar e você vai ficar na merda tentando evitar que caia
suas compras e quebre tudo. É claro também que o valor desse saquinho estará
embutido no valor do produto e vai ter aquele ativista verde dizendo que você
deveria levar sacolas retornáveis para o mercado. Lógico que esse ativista não
vai cobrar que o supermercado dê um desconto pelas sacolas que você economizou
levando a sua, porque ele é financiado pelas grandes redes de supermercado.
Enfim,
depois de toda esta diversão, você descobre que vive no melhor país do mundo
porque vai ter olimpíadas. É isso aí... Deus é brasileiro.
Acabei rindo com a criatividade do texto, apesar de ser um conteúdo triste. Mas é o país em que vivemos, né?! :(
ResponderExcluirBlog Jovens Mães
Infelizmente é a realidade que a gente vive... o jeito é tentar levar no bom humor...
ExcluirSeria cômico se não fosse trágico; enquanto houver o circo pra alienar o povo esse país estará fadado ao fracasso. Excelente crônica
ResponderExcluirBeth Lucchesi
Circo para alienar e ignorância para não se entender o que se paga... conformismo para sempre achar que está tudo bem e preguiça para agir de forma a mudar.... o brasileiro é um somatório de virtudes humanas!! SQN!
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