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Só quem nunca viveu a
emoção de assistir um jogo de futebol num estádio é que não sente falta desta
situação. É uma atmosfera empolgante, as torcidas dando um show a parte, poder
acompanhar o jogo de perto, os radinhos de pilha com suas narrações enroladas e
barulhos esquisitos para atrair a atenção do ouvinte.
Mas infelizmente, mesmo
estando no “país do futebol”, este programa que era pra ser feliz e tranquilo,
se tornou num campo de batalha angustiante aonde as pessoas vão com medo do que
lhes pode acontecer. É uma página triste neste este esporte tão bonito e
emocionante, mas que faz parte do nosso cotidiano.
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Costumo conversar com
amigos mais novos e eles não acreditam nas minhas histórias. Houve um tempo
onde as torcidas adversárias chegavam juntas e saiam juntas sem que houvesse
qualquer confusão. Nasci e cresci em Salvador. Frequento estádios de futebol
desde meus 03 anos de idade. Já fui a inúmeros BA-VIs.
Morava relativamente
perto da Fonte Nova e ia com meus pais e meus amigos de ônibus ou à pé. Sempre
chegávamos um pouco mais cedo para podermos encontrar com mais amigos. As
torcidas do Bahia e do Vitória subiam a mesma ladeira. A ladeira que dá nome ao
estádio. Lembro-me que lá havia um barzinho que meu pai costumava sentar para
esperar os amigos antes da entrada. E neste barzinho sentavam torcedores dos
dois times. A maioria se conhecia. Eles discutiam sobre os esquemas táticos,
sobre a qualidade técnica dos jogadores e, quase sempre, apostavam o resultado.
Tinha muita brincadeira e “gozação”, como se diz na Bahia. Mas não havia
qualquer tumulto.
Quando chegava a hora
do jogo, todos entravam (pela mesma entrada) e cada um ia para sua respectiva
torcida. Não havia grades que impediam o acesso das torcidas. Havia uma parte
do estádio que era destinado à torcida mista. Às vezes ficávamos lá. Era tudo
muito pacífico. Na saída, os mesmos torcedores adversários se encontravam no
mesmo barzinho para “pagar” a aposta e poder “bebemorarem”.
Mas hoje em dia, tudo
isto se tornou utopia. Torcida chegam ao estádio por caminhos diferentes. Se se
encontram, é batalha campal com direito a tiros e granadas. Mortes, violência,
sangue, destruição e sofrimento. E o que isto tem a ver com futebol? O que isto
tem a ver com aquela emoção e alegria? Brigar por um esporte que foi feito para
sorrir?
É muito triste quando
vivenciamos uma situação como está acontecendo aqui em São Paulo, onde a
justiça determinou que apenas uma das torcidas poderiam frequentar o estádio no
dia do clássico. Isto é muito triste. Acabaram com a magia. Acabaram com o
espetáculo. Estádios com uma única cor. Isto é depressivo. Mas infelizmente,
sou obrigado a concordar com esta medida.
Quem dera que um dia aprendêssemos
a viver em harmonia. Que aprendêssemos a deixar a batalha para dentro das
quatro linhas. Que pudéssemos voltar às “apostas” de mesa de bar e às
comemorações pós jogo com a presença de amigos da torcida adversária. Quem dera
fossemos civilizados. Sei que é um sonho. Mas um sonho possível. E este sonho
começa por cada um de nós, torcedores. Respeitar o outro e viver a emoção do
futebol sem permitir que esta mesma emoção nos leve a acabar com o espetáculo.
E torço para que um dia este sonho se torne realidade.




Acho que eu seria das que não "acreditam" em você. Que lindo o que escreveu. Parece tão utópico hoje em dia. Mas parece ser tão óbvio. Afinal, é o que deveria ser. Simples assim.
ResponderExcluirBlog Jovens Mães