Aqueles
que acompanham o Blog podem observar a quantidade de vezes em que tratamos
sobre como a política brasileira tem sido vista dentro da sociedade cada vez
mais como uma competição esportiva e menos sob o olhar parlamentar.
Essa
ideia é tão importante para a sociedade contemporânea que a Convenção de
Genebra normatizou o chamado “Sinal de parlamento” ou “Bandeira de parlamento”,
que é aquela famosa bandeirinha branca levantada pelo inimigo que muitos creem
que significa rendição, mas que na verdade significa que o inimigo quer
conversar, interromper o combate para debater ou simplesmente parar
momentaneamente o combate para assistência aos feridos e recolhimento dos
mortos. É tão forte esta ideia que aquele que se utiliza deste sinal como
tática para abater o inimigo comete o crime de perfídia.
De
forma genérica, o congresso nacional brasileiro é sim considerado um
parlamento, um campo de debates e discussões para a resolução de conflitos
através das palavras, permitindo que novas normas surjam para o bem de toda a
sociedade. Logo, parlamentar (verbo) é a base democrática; é a forma mais
segura de progredir, com discussão de ideias e confronto de pensamentos através
de palavras.
Mas
o que tem se visto no cotidiano, no seio social, nas ruas, é justamente o
oposto. As pessoas estão tão abraçadas às suas ideologias que estão esquecendo-se
deste princípio democrático básico: conversar. Por muito tempo a filosofia do
brasileiro foi a de não discutir sobre política. As pessoas evitavam o assunto,
fugiam da conversa e desviavam de discussões sobre a forma de governar o país.
Fruto disto é uma juventude pseudopolitizada, com argumentos e opiniões
formados por colunistas sensacionalistas e por docentes mal-intencionados.
Pessoas que muito ganham para tornar a juventude ignorante. Pessoas que ganham
bem para mentir e enganar em nome de uma ideologia.
O
resultado? Uma geração de adoradores de homens. Pessoas que veem políticos e
figuras históricas como deuses, homens que se curvam diante de homens como se
aquele fosse melhor que este e vice-versa. A figura do “o meu é perfeito e o
seu é um nojo”. O resto é só consequência. E das que mais tem me chocado,
destaco a campanha maciça nas redes sociais pelo “se você curte este
homem/mulher por favor me exclua! Sem ressentimentos! Apenas não compactuo com quem faz isso ou aquilo”. Quanta
hipocrisia, senhoras e senhores.
Não
há ser humano perfeito e todos terão sim defeitos que par alguns será sempre
imperdoável. Mas daí a terminar amizades? Daí a fechar seu circulo social para
pessoas que pensam igual a você? Isto vai totalmente à contramão do que é
democracia. Isto vai totalmente à contramão do que é política. Quanto mais
variado de ideologias for o seu círculo, quanto mais pensamentos diferentes
você tiver no seu entorno, maior será sua informação sobre as diversas
correntes, logo, maiores serão as chances de você ter uma opinião construída por
convicções pessoais e não por mera repetição de palavras alheias.
Então,
quando um amigo ou conhecido contrariar seu pensamento ou convicção política,
utilize-se do parlamento. Debata, converse, discurse e aprenda. Busque entender
os argumentos que lhes são ditos, por mais estapafúrdios que sejam. É
praticando a democracia que se fortalece a democracia, pois quando nos
separamos, somos mais fracos. E quem prega nossa separação, é porque quer nos
dominar.
Vim ler o post para retribuir a visita e por ter deixado este como dica. Concordo contigo. E espero que mais pessoas entendam que política só melhora se for discutida, como qualquer outra coisa na vida.
ResponderExcluirBeijos.
Jovens Mães