O
evento histórico acontecido no último domingo, 17 de abril de 2016, destacou-se
não somente pela sua relevância política, mas pelas incontáveis demonstrações
de hipocrisia, desrespeito aos preceitos da boa educação e atitudes de falta de
decoro.
O
que pudemos ver foi um incontável número de parlamentares que confundiram o seu
momento de declaração de voto a um comício eleitoral, com frases de efeito e
dedicatórias ideológicas, deixando como pano de fundo o resultado mais que
sabido, previamente , do pleito.
Mas
o que surpreende, passados os dias após este histórico ato, são os embates
polarizados nas redes sociais entre seguidores dos políticos tidos como “líderes”
das confrontantes ideologias que hoje se sobressaem em nosso cenário político.
Mas o que fica como questionamento e avaliação desta postagem é a insensatez
seletiva que se ergue no seio social.
Não
é segredo para ninguém que a dedicatória do voto a um personagem histórico que
divide opiniões por seus atos durante o período militar, causou certo furor nas
mais diversas classes da sociedade. Pessoas contra e a favor se manifestam
diariamente destilando seu mais profundo ódio e desrespeito às formas
contrárias de pensar, mas não somente, mostram, também, a limitação do
conhecimento que possuem e da facilidade com que corrompem seu intelecto com as
frases de efeito proferidas por figuras políticas de incontestável limitação de
raciocínio.
Ora,
a partir do momento que se desqualifica a opinião de um determinado parlamentar
por defender um personagem que supostamente infringiu normas relativas aos
direitos humanos durante um período, não se pode, quase que imediatamente,
subir na tribuna da Câmara dos Deputados outro parlamentar e defender outros
personagens que incontestavelmente também o fizeram.
O
que se nota é que o conhecimento histórico das pessoas que manifestam suas
ideologias por meio das redes sociais é, não apenas, limitado como seletivo. As
pessoas escolhem qual torturador querem adorar. Elas estão escolhendo qual
crime contra a dignidade da pessoa humana (odeio esta tautologia) é
justificável, dentro das suas convicções ideológicas ou não. Não se pode
proferir o nome de um Militar que atuou dentro da (controversa) legitimidade,
mas se pode usar livremente o rosto de um revolucionário que abertamente
executou seus dissidentes e opositores. Pode-se enaltecer um guerrilheiro que
de tantas atitudes vis, escreveu um livro que é utilizado pelos diversos grupos
terroristas que existem hoje. Pode-se enaltecer um militar (veja o paradoxo,
para não chamar de hipocrisia) que torturou e matou um companheiro de farda e
de quartel! Alguém que com ele trabalhava no seu dia-a-dia, uma traição
covarde, mas que se torna justificável aos olhos dos incoerentes, pela causa a
que defendia.
A
conclusão que se chega ao decorrer desta histórica semana é que ou o povo
brasileiro é excessivamente insensato e hipócrita, ou os bancos escolares não
estão cumprindo minimamente o seu papel. Ou, e esta é a hipótese mais provável,
temos uma juventude alienada que forma suas opiniões por frases de efeitos e
propagandas midiáticas parciais que ganham seus votos através da “vitimização”
de um suposto “sofrimento” pelo qual passaram há 30 anos. E o pior: todo este
debate se passa, em sua maioria, entre pessoas que nasceram após 1985. Tenho
medo do futuro que esta geração nos trará.
Nenhum comentário:
Postar um comentário