Nos
últimos tempos a televisão brasileira, em seus telejornais e programas de
auditório, tem bombardeado sua audiência com notícias e mais notícias a
respeito de um mosquito capaz de transmitir diversas enfermidades sendo a mais
famosa a dengue, mas que agora assusta por outra cujos sintomas são muito mais
amenos, mas com consequências (hipoteticamente, ainda) mais sérias, no caso, a
Zika.
Somos
conduzidos a pensar, repensar e, de certa forma, nos entreter virando pratinhos
de plantas, tampando caixas d´água e catando quaisquer espécies de lixo que
surjam pelo caminho. Pensando de maneira fria e, demasiadamente, cruel, a Zika
e a Dengue estão nos tornando Civilizados! Ou não também.
Procurar
os tão temidos focos se tornou algo como um passatempo grotesco e trágico na
vida cotidiana contemporânea como consequência de anos (para não dizer séculos)
de falta de educação, imundice e estupidez. Mas o foco aqui não é este.
Após
estudar vagamente sobre o tema e perceber o óbvio, que as doenças transmitidas
pelo Aedes Aegypti dependem de três elos para que possam se proliferar, o
vetor, o hospedeiro e o vírus, resolvi discutir com alguns amigos sobre o
avanço do combate ao vetor e fui de pronto rechaçado (estou exagerando, ok?). Na minha vasta ignorância, decidi pesquisar e
vi que realmente eu estava sendo um estúpido manipulado.
O
combate ao vetor com simples atitudes de higiene não é mais do que a nossa
obrigação. É algo inerente ao nosso tão almejado estado de civilidade. É algo
que não deveria necessitar de incentivo ou investimento governamental. Fugindo
um pouco de números porque não se tem finalidade estatística aqui, mas sim uma
reflexão, o governo tem incentivado sobremaneira com verbas o combate ao
mosquito, mas pouco se ouve falar sobre investimentos à pesquisa e ao
desenvolvimento de vacinas contra as doenças causadas por este artrópode
inconveniente.
Pensemos
de maneira fria. Estamos gastando milhões e milhões em campanhas de
conscientização, em panfletos, em inseticidas, em propagandas midiáticas, em
dias de mobilização nacional, mas pouco se fala dos investimentos para as
entidades de pesquisa do nosso país.
Somos
bombardeados por estas informações e levados a crer que estamos numa verdadeira
guerra contra este mosquito. Mas só para pensarmos um pouco. A primeira
descrição científica do nosso protagonista ocorreu em 1818, o que não
necessariamente quer dizer que surgiu nesta época. Estima-se que a mais de 300
anos ele já exista em nosso país. Alguns afirmam que em 1955 o Brasil o Aedes
Aegypti foi declarado erradicado do Brasil pela OMS (Organização Mundial da Saúde),
mas que permaneceu em áreas do continente americano como Venezuela, Cuba e Etc.
Esta suposta erradicação se deu durante um surto de febre amarela que assolou
boa parte do território nacional. Note, porém, que a “erradicação” do mosquito
não foi a única ação tomada na época. A pesquisa também foi incentivada e hoje
temos a vacina contra a febre amarela, de tal forma que hoje estamos com esta
doença controlada.
Neste
raciocínio, podemos verificar que o combate ao mosquito como “única”
alternativa não surtirá o efeito desejado. Num país onde a educação do povo é
questionável, onde os sensos de civilidade e civismo são inexistentes, é
difícil acreditar que possamos acabar de vez com este mosquito virando pratos
de planta e tampando a caixa d´água apenas. Faltam ações de coleta de lixo
seletiva eficaz, falta uma coleta de lixo que funcione de verdade, falta
fiscalização e punição para quem joga entulho e lixo doméstico em locais
abandonados, falta muita coisa. Mas ainda assim o governo está gastando um
valor absurdo com panfletinhos para você virar seu pratinho de planta.
A
quem interessa tudo isto? Pense assim. O desenvolvimento de uma vacina traria
uma solução definitiva (ou quase) contra as doenças provocadas pelo mosquito em
questão. Só que soluções definitivas não são interessantes para quem comanda o
país. Solução definitiva significa que menos gente irá morrer, significa que
diminuirá o gasto com o tratamento da microencefalia, significa que diminuirá
ou acabará o gasto com campanhas de combate ao mosquito e outra série de
medidas que dependem de repasse de verba. Só que menos gente morrendo significa
explosão demográfica e isso não é de interesse governamental. Menos repasse de
verba significa menos possibilidades de desvios, significa menos fontes de
corrupção, significa menos contratação de gráficas de terceiros interessados,
menos licitações de emergência e menos dinheiro no bolso de quem está ganhando
com tudo isso.
Mas
enquanto não há vacina, só nos resta “investir” no combate ao mosquito. Então,
vamos sim virar os pratinhos de planta, tampar nossas caixas d´água, catar os
copinhos de plástico na rua, parar de jogar lixo e entulho em terrenos baldios
e todas as demais medidas que a convivência social e a cidadania exigem, mas
que não conseguimos fazer porque nos falta, na verdade, educação. Mas isto é
outra história.
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