segunda-feira, 30 de maio de 2016

NÃO ABANDONE UM ANIMAL

Eu poderia começar esta reflexão falando sobre como eu amo os animais, como não tolero violência contra eles, como acho desumano qualquer tipo de crueldade e etc. Mas este texto não é de um militante ambientalista defendendo ideais de um mundo de amor para os animais. Este texto é de alguém que acha que tratar bem os animais deveria ser algo inerente à condição humana.

Mas daí me vem a pergunta: o que seria tratar bem os animais? Acho que não tenho total respaldo para falar sobre isso. Não sou vegetariano, não gosto de seres rastejantes, entre outros paradigmas que eu teria que seguir para preencher os requisitos necessários para sair em defesa plena dos animais pelo mundo. Mas o que me motivou a escrever esta reflexão é a frieza com que o ser humano é capaz de deixar de lado um ser que te deu tanto carinho e atenção.

Eu sempre abordo as redes sociais nos meus post, pois são nelas que grande parte da sociedade se manifesta e emite sua opinião hoje em dia. Então, tomando como base o que vejo nas redes sociais. Um incontável número de pessoas que posta fotos, vídeos, “textões” sobre pessoas que maltrataram animais. Pessoas que saem em defesa dos cachorros, golfinhos, baleias, gatos, ratos, tudo quanto é animal que foi maltratado por um ser humano. Acho esta manifestação válida. Mas e quando quem maltrata é uma pessoa que posta tudo isso?

Controversa a atitude? Hipócrita a pessoa? Desumana? Sabe, acho que no fundo é só uma questão de parâmetros mal instituídos. Estamos acostumados a considerar maus tratos como o uso desmedido da violência ou alguma atitude que causa dano físico ou emocional no animal. Dentre estes maus tratos, enquadramos o abandono como um deles. Mas cometemos o erro de não saber o que de fato é abandonar um animal.

Abandonar um animal não é somente sair de casa com ele e deixá-lo a mercê da própria sorte num terreno baldio longe de sua casa. Abandonar um animal não é somente amarrá-lo pelo pescoço no quintal com pouca água e comida e deixá-lo sobreviver à duras penas debaixo das intempéries. Abandonamos um animal quando permitimos que ele se apegue a nós e depois deixamos de dar a devida atenção. Abandonamos um animal quando ele fica doente e não procuramos saber notícias suas ou não o levamos num médico veterinário para uma consulta.

É desumano quando criamos um vínculo afetivo com estes bichinhos e depois, simplesmente, o deixamos num canto qualquer dentro da própria casa. Mesmo com alimentação, com água e bem cuidados. Falta algo que se chama atenção. E eles se apegam assim como uma criança. Eles sentem falta, eles choram de saudade, eles procuram quando não estamos em casa... e ainda assim, as pessoas insistem em não lhes dar a devida atenção.


Não. Este não é um texto fútil. Este não é um choro de barriga cheia enquanto crianças morrem desnutridas em algum lugar do planeta. Este é um texto sobre a hipocrisia humana. Pense desta forma: se um ser humano é capaz de abandonar afetivamente um ser que lhe deu tanto amor e carinho; se é capaz de deixá-lo morrer sem os devidos cuidados ou sem fazer-lhe uma visita; se é capaz de nunca se preocupar em como está aquele animalzinho que todo santo dia lhe recebeu com toda sua alegria e afeto, o que você acha que uma pessoa assim seria capaz de fazer com um ser humano? Acredite, uma pessoa capaz disso, não está preocupado com as crianças desnutridas.

domingo, 29 de maio de 2016

PERDIDO EM MARTE (The Martian)

Levei um tempo considerável para assistir este filme pelo puro preconceito em achar que se tratava de algo semelhante ao Náufrago. Nada contra o clássico de Tom Hanks, mas a ideia de assistir outro monólogo de 2 horas me deixou um pouco “desinteressado”.

Mas quando indicaram o Matt Damon ao Oscar, bom, eu pensei: “preciso assistir isso”! Sim, sou fã demais do trabalho dele e acho que 95% dos filmes deles são bons. Os outros 5% eu não assisti ainda, mas tenho certeza de que não é por sua atuação que são ruins.

Fato é que o filme foi muito bem elaborado. A trama não se resume a um infinito “blá, blá, blá” do protagonista sobre como é um saco ficar sozinho por anos a fio num planeta sem comida e sem porra nenhuma pra fazer. A ideia central do filme, no meu ponto de vista, é como o conhecimento e a persistência são as bases da sobrevivência. Não sei até que ponto os acontecimentos do filme seriam possíveis pelas leis da física e das demais ciências, mas o fato do protagonista se virar com o conhecimento e os recursos disponíveis torna o filme bem interessante.

Outro fator que contribuiu no sucesso do filme foi a excelente atuação do Matt Damon. Não foi à toa que foi indicado ao Oscar por ela. Não estou querendo dizer que ele merecia ter ganhado, mas diria que ele manteve sua média de boas atuações.


Enfim, o filme é muito mais do que um plantador de batatas espacial. Espero que todos gostem do filme assim como eu. E claro, espero que possam deixar suas opiniões sobre este e outros filmes. Um grande abraço e um bom filme!

sábado, 21 de maio de 2016

DONNA SANTINA - ITU

Iniciando meus palpites na área de culinária (até parece) começo a escrever sobre Bares e Restaurantes. Minha abordagem vai ser mais sobre os aspectos gerais de cada estabelecimento. Só postarei sobre aqueles locais que valem a pena serem frequentados. Minha visão não será o de um crítico altamente renomado e formado em mil e uma especializações na área gastronômica. Meus comentários serão fruto de um cidadão comum que aos fins de semana, ou mesmo durante a semana, busca novos lugares para poder comer alguma coisa ou tomar uma cervejinha gelada ouvindo algo legal.
Espero que curtam as dicas. Espero que, caso também conheçam os lugares aqui citados, compartilhem suas opiniões sobre o que acharam de cada lugar. Até porque posso ter a impressão errada ao ir uma única vez ao local. E certamente quem já foi mais de uma vez ou num dia em que a cozinheira queimou o feijão pode ter uma opinião totalmente contrária.


 Gostaria de iniciar este novo cantinho do Blog falando sobre este lugar incrível que conheci esta semana. O Donna Santina – Restaurante – Bar é um daqueles locais que você entra sem saber ao certo do que se trata. Ao contrário de outros estabelecimentos, ele não deixa óbvio em seu logotipo sobre o tipo de comida que oferece. Mas qual não foi minha surpresa, a especialidade deles é Batatas Recheadas (adoro!). Mas não somente do tipo inglesa. Eles servem diferentes tipos de batata-frita e Batata Rösti (batata suíça). São tantas opções que deixa qualquer amante de batata completamente maluco.
Para nossa região, o preço até que está dentro dos padrões. Mas o tamanho do prato vale o preço. É muito bem servido e comer um só é só para os fortes e famintos. Mas o que mais gostei, além da decoração que é muito legal, foi da trilha sonora. Adivinhem... ROCK!!! Do puro, do clássico, do super mega ultra plus muito F... Rock! Ao contrário dos bares superbadalados da região que só tocam aquele gênero musical que não ouso pronunciar o nome, lá é Rock´n Roll! Espero que não tenha sido somente no dia que eu fui. Mas dizem que a 1ª impressão é a que fica e esta foi excelente! Recomendo para aqueles que buscam fugir das mesmices dos bares da região de Itu-Sorocaba-Indaiatuba. Espero que curtam e que ouçam muito Rock! Abraço a todos!


Donna Santina – Rua João Tibiriça, 248, Itu-SP

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Cachoeira de Minas

         Não viajei com o intuito de criar um post para o Blog, mas não podia deixar escapar a oportunidade de compartilhar este lugar maravilhoso. Lugar bucólico com o ar puro, morros e verde para todo o lado. Clima típico de fazenda. O que há para reclamar deste lugar? 
           
Para quem quer conhecer um lugar para esquecer o estresse e a loucura dos grandes centros, este é o lugar ideal. Mas não vou deixar escapar um detalhe: rede hoteleira deixa a desejar. Infelizmente paga-se caro por uma hospedagem modesta (eufemismo), sem toalha e banheiro sem cortina de box (no mínimo). 



Não vi nenhum camping ou lugar com estrutura para acampar. Mas arrisco dizer que vale mais a pena apelar para a hospitalidade mineira e pedir para acampar em algum quintal, do que arriscar ficar nos hotéis. 
           
Mas ainda assim, é um excelente lugar para descansar de toda a correria dos grandes centros. E não se pode esquecer que a cidade fica a menos de 20 km de outras cidades mais estruturadas como Pouso Alegre e Santa Rita do Sapucaí. O que faz valer a viagem e tentar repousar a cabeça nos hotéis dessas cidades. 
              
Espero que gostem da dica e se encantem com a cidade assim como eu me encantei! Até o próximo destino!

                                                                 

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Cerveja - WELTENBURGER KLOSTER - ANNO 1050


WELTENBURGER KLOSTER - ANNO 1050
Um Cerveja Larger de cor Amarelo Ouro, diferente das Largers mais conhecidas. Seu sabor é marcante, mas sua leveza permite repetir a dose com tranquilidade sem sentir o paladar "pesado". Em seu site é descrita como uma cerveja "Encorpada, que combina  perfeitamente com queijos do tipo Emmental,  Gouda e o tradicional queijo Minas.  Além disso, harmoniza-se com peixes de carne  branca ou de sabor leve.  Também serve como acompanhamento  para pratos com toques adocicados, galeto  assado, peito de frango grelhado ou peixe  branco empanado". Fica a dica para os apreciadores de Cerveja Larger que gostam de experimentar novos sabores.

Cerveja - ROFER - HEFE WEIZEN


ROFER - HEFE WEIZEN

Uma cerveja de trigo com as características peculiares destas. Sabor encorpado, cor de tonalidade amarelo pouco mais escura do que as cervejas Weiss mais comercializadas. Porém, a diferença é absurda. Seu paladar é muito marcante e forte, mas sem a amargura encontrada nas weiss mais conhecidas. Seu sabor lembra muito pão e banana. Harmoniza com pratos mais leves como saladas e peixes. Embutidos também são uma boa pedida de acompanhamento. Uma ótima dica para quem gosta de Weiss.  

CAPITÃO AMÉRICA - CIVIL WAR

Ok! Estou atrasado para falar deste filme. Mas eu não queria correr o risco de falar demais e acabar liberando algum Spoiler. Espero que me entendam.

Minha consideração sobre o filme? Excelente! Como já revelei em posts anteriores, não sou um profundo conhecedor de HQs, mas como amante do cinema e fã de filmes de Super Herois, minha consideração é esta. Um filme excelente!

Li muito por cima um crítico famoso de um site popular criticando a atual tendência Hollywoodiana de colocar herois contra herois, como se isso fosse nada mais nada menos do que o fruto da falta de criatividade dos roteiristas. Meu pensamento? Falou m…

Pegar uma HQ e transformar num filme, de certa forma, pode sim ser considerado uma ligeira limitação criativa. Mas olha a bilheteria que os filmes de Super Herois tem rendido às produtoras de hollywood. Todos querem ver seus herois interpretados e humanizados numa tela de cinema. E não adianta. Quando o personagem “casa” perfeitamente com o ator, é quase impossível não render um bom sucesso. Robert Downey Jr nasceu para interpretar o Iron Man. Chris Evans nasceu para ser o Capitão América. Ponto Final. Não adianta tentarmos discutir se as grandes produtoras não conseguem mais criar enredos criativos, porque nestes filmes elas acertaram. Elas conseguiram mostrar aos fãs de HQ como seriam seus herois na “vida real”.

Quanto ao enredo em si, acho que o que mais se destacou foi a disputa envolvendo não os super poderes de cada um, mas sim o lado humano que cada um possui. Ficou bem caracterizado que a disputa foi de personalidades e ideais opostos. E isso tornou o filme muito mais interessante do que um mero filme de ação sem sentido.

Outro ponto que merece destaque foi a evolução de cada ator dentro do seu personagem e de cada personagem em si dentro do contexto geral. Quem acompanha os filmes dos Super Herois e dos avengers, pode atestar que cada um demonstrou uma evolução. O Capitão América está muito mais maduro, assim como o próprio Iron Man e os outros.


Por fim, o fime é excelente, vale muito a pena assistir uma, duas, três e não sei quantas vezes. Aqueles que buscam um filme que saiba mesclar ação com pitadas de um bom enredo, encontrarão certamente neste filme. Espero que todos gostem.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

CIRANDA DESAMOR

Diz-me, então, quando todo encanto se perdeu,
Quando o chão ladrilhado virou pó,
Quando o bosque em labaredas se ardeu,
Quando o anjo prateado ficou só?

Quando desaprendemos a sorrir,
Quando nos esquecemos de chorar, 
Quando rugas começaram a se abrir,
Quando as cirandas findaram de cantar?

Foi de olharmos em nossos olhos e não nos vermos?
Ou foi em vermos nossos olhos prantear?
Foi em nos vermos e toda vez fecharmos os olhos?
Ou foi em pararmos de nos vermos ao fechar?

Fora embora o cavaleiro esperado,
Ou o cavalo quem melhor estendeu a mão?
Será que a água procurada em poço seco,
Não regou o nosso ingênuo coração? 

A DOR DO PARTO

A dor do parto é de partir,
Do que, de se partir, se fez inteiro,
Um soluçar de desespero,
Por ver partir quem muito quisera.

A dor do parto é de chorar,
Pela partida, do que de inteiro, se fez parte,
Se é por ser bobo ou não ter arte,
Pela menor parte que tomar.

A dor do parto é passageira,
Parte-se desta vida e não a leva,
Deixa-se partido o que espera,
Faz-se inteiro o que se parte.

A dor do parto é a partida,
E a partir do que se parte é que se sente,
Que o que era inteiro se fez indiferente,
E ao partir-se causou sua partida.

A dor do parto fortalece,
Pois só quem nasce se faz verdadeiro,
E se partiu é porque um dia foi inteiro,

E se foi inteiro valeu por existir.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Aquele 1%

Eu falei que ia ter Wesley Safadão! E se reclamar, coloco Pablo!

Brincadeiras a parte, queria comentar justamente sobre este título. Na era dos Safadões e Safadonas em que vivemos, se você não é 99% anjo perfeito e aquele 1% vagabundo, você não tem a mínima chance de ser feliz. Mas eu acho que esta porcentagem, assim como a da música, está equivocada. Pelo que ele narra, por ele dizer que trata todas iguais, acho que está mais para 99% vagabundo e 1% anjo. Mas no final, é isso que todos querem hoje em dia.

Chega de tardes no cinema com o amado/amada segurando sua mão. Chega de filminho com pipoca nas tardes de sábado. Chega do romântico à moda antiga, do tipo que ainda manda flores. “Se namorar fosse bom, isto aqui [balada] tava vazio, a mulherada tava em casa”. Esta é a filosofia reinante no nosso meio.

Não importa se a pessoa tem o homem ou mulher que faz tudo por ela, que se preocupa quando tem algum problema, que leva flores quando está de cama. O importante é se aventurar pela vida dos beijos fáceis e cantadas ridículas. “Se você sorrir eu vou te cumprimentar” ou “O que você faria se eu te beijasse agora?” viraram o novo “Você é tudo pra mim” ou “Você é meu raio de sol”. Não importa se tem alguém te esperando em casa ou num barzinho (barzinho que se senta e toma cerveja) com os amigos. Aquela pessoa não irá te causar o mesmo frio na barriga que você sente ao beijar na balada.

E daí que ele (a) manda mensagem no dia seguinte ou outros dois dias só até conseguir marcar um encontro e te comer? E daí que depois de comer ele não vai ligar mais e você vai ficar que nem trouxa no sofá esperando? E daí que quando você mandar mensagem para saber como ela (e) está, vai ser tratado (a) como um (a) qualquer? Não importa! Vale a pena deixar de ser o único/a única para se tornar mais um (a). Vale a pena sofrer ao descobrir que aquele beijo não significou nada.

Este é nosso mundo, senhoras e senhores. Este é o nosso cotidiano. Um cotidiano de areia molhada pela água do mar, que na primeira onda se desfaz, deixando apenas rastros do que um dia foi uma “obra de arte”. Não se valoriza ninguém, mas que importância tem isto? Não importa que eu seja só mais um (a) num quarto preparado para práticas sado masoquista, desde que ele (a) me leve para passear num aeroplano. E daí que ele (a) abre a porta e puxa a cadeira do jantar para várias pessoas diferentes todos os dias da semana ou todos os fins de semana? “O que eu quero é ser tratado como rei/rainha por uma noite”, ainda que no outro dia eu seja tratado como bobo da corte.

Perdeu-se a beleza dos relacionamentos. Perdeu-se a magia do viver em comum. Perdeu-se a alegria de segurar a mão enquanto passeia. Briguei com meu namorado (a)? Ela (e) está brigada (o) comigo? Estou carente? BALADA NELES! Quer-se apenas uma companhia. Mesmo que ela seja fugaz. Mesmo que seja tão rápido quanto um beijo ao som de uma “Balada Boa”! Não importa se quem está esperando te levou para casa durante toda a semana para que você não passasse frio esperando seu ônibus. Isto não importa mais.

O ser humano perdeu seus valores. O ser humano perdeu a sua vocação de ser feliz em família. Estimula-se a casualidade e se repreende o duradouro. Uma vida por uma noite virou um bom negócio. Desde que meu copo esteja cheio de Ciroc e meu vestido preto curto chame a atenção de todos que estão a minha volta. Eu só quero me sentir desejado (a), ainda que quem está lá me deseje todos os dias e diga todos os dias que estou lindo (a) mesmo nos nossos piores dias. Tudo é justificável pelo Carpe Diem.


Mas fico feliz que alguns fogem esta regra. Fico feliz que escutar Barry White numa noite de amor com a pessoa que estará lá no dia seguinte ainda seja uma prática valorizada para alguns. Fico feliz que ainda existam casas noturnas que tocam músicas que atravessam o tempo e onde os nomes das festas não estimulam uma “pegação” sem sentido. E o mais legal: nessas casas tocam Rock! Então, à todos “felizes” libertinos, à todos que valorizam a leviandade, a todos os promíscuos do nosso momento nacional, meu mais sincero sinto muito. Mas prefiro pessoas que se valorizam estar com quem gosta ao som de um bom Pearl Jam, Nickelback, Bon Jovi, Dire Straits, Led, Guns, Pink Floyd, Avenged, Elton John...

domingo, 1 de maio de 2016

PARLAMENTANDO

Aqueles que acompanham o Blog podem observar a quantidade de vezes em que tratamos sobre como a política brasileira tem sido vista dentro da sociedade cada vez mais como uma competição esportiva e menos sob o olhar parlamentar.

Analisando a etimologia da palavra “Parlamento”, podemos observar que sua origem remete ao francês parlament que significa justamente uma assembleia legislativa. Mas remotamente, verificaremos que a origem vem de parlare, que em italiano significa falar. Então, quando falamos de Parlamento, estamos falando de conversa, debate e discussão de ideias.

Essa ideia é tão importante para a sociedade contemporânea que a Convenção de Genebra normatizou o chamado “Sinal de parlamento” ou “Bandeira de parlamento”, que é aquela famosa bandeirinha branca levantada pelo inimigo que muitos creem que significa rendição, mas que na verdade significa que o inimigo quer conversar, interromper o combate para debater ou simplesmente parar momentaneamente o combate para assistência aos feridos e recolhimento dos mortos. É tão forte esta ideia que aquele que se utiliza deste sinal como tática para abater o inimigo comete o crime de perfídia.

De forma genérica, o congresso nacional brasileiro é sim considerado um parlamento, um campo de debates e discussões para a resolução de conflitos através das palavras, permitindo que novas normas surjam para o bem de toda a sociedade. Logo, parlamentar (verbo) é a base democrática; é a forma mais segura de progredir, com discussão de ideias e confronto de pensamentos através de palavras.

Mas o que tem se visto no cotidiano, no seio social, nas ruas, é justamente o oposto. As pessoas estão tão abraçadas às suas ideologias que estão esquecendo-se deste princípio democrático básico: conversar. Por muito tempo a filosofia do brasileiro foi a de não discutir sobre política. As pessoas evitavam o assunto, fugiam da conversa e desviavam de discussões sobre a forma de governar o país. Fruto disto é uma juventude pseudopolitizada, com argumentos e opiniões formados por colunistas sensacionalistas e por docentes mal-intencionados. Pessoas que muito ganham para tornar a juventude ignorante. Pessoas que ganham bem para mentir e enganar em nome de uma ideologia.

O resultado? Uma geração de adoradores de homens. Pessoas que veem políticos e figuras históricas como deuses, homens que se curvam diante de homens como se aquele fosse melhor que este e vice-versa. A figura do “o meu é perfeito e o seu é um nojo”. O resto é só consequência. E das que mais tem me chocado, destaco a campanha maciça nas redes sociais pelo “se você curte este homem/mulher por favor me exclua! Sem ressentimentos! Apenas não  compactuo com quem faz isso ou aquilo”. Quanta hipocrisia, senhoras e senhores.

Não há ser humano perfeito e todos terão sim defeitos que par alguns será sempre imperdoável. Mas daí a terminar amizades? Daí a fechar seu circulo social para pessoas que pensam igual a você? Isto vai totalmente à contramão do que é democracia. Isto vai totalmente à contramão do que é política. Quanto mais variado de ideologias for o seu círculo, quanto mais pensamentos diferentes você tiver no seu entorno, maior será sua informação sobre as diversas correntes, logo, maiores serão as chances de você ter uma opinião construída por convicções pessoais e não por mera repetição de palavras alheias.

Então, quando um amigo ou conhecido contrariar seu pensamento ou convicção política, utilize-se do parlamento. Debata, converse, discurse e aprenda. Busque entender os argumentos que lhes são ditos, por mais estapafúrdios que sejam. É praticando a democracia que se fortalece a democracia, pois quando nos separamos, somos mais fracos. E quem prega nossa separação, é porque quer nos dominar.

O que é Riqueza? - Parte 2

No post anterior, tentamos refletir acerca da riqueza e sua subjetividade. Também abordamos muito superficialmente do porquê devemos evit...